Como ‘Blonde’, de Frank Ocean, moldou (e continua moldando) o R&B
Dez anos atrás, na madrugada de 20 de agosto de 2016, Frank Ocean lançou Blonde de surpresa.
O disco simplesmente surgiu nos streamings um dia depois de Endless , o álbum visual usado para encerrar o contrato com a Def Jam .
Desde então, Ocean praticamente desapareceu, virando quase uma lenda (com fãs tratando-o como o Saci ou o Pé Grande, chegando a criar compilações de todas as vezes em que ele apareceu em câmera ), enquanto o álbum que ele deixou para trás só cresceu.
Para entender Blonde , é preciso olhar para o que veio antes.
Em 2012, Christopher Breaux , nome de batismo do cantor, lançou Channel Orange , ganhou dois Grammys e virou uma estrela.
Em julho daquele mesmo ano, publicou no Tumblr uma carta sobre seu primeiro amor , um homem.
O gesto foi impactante (não preciso lembrar que o R&B e, principalmente, o hip hop sempre tiveram uma relação complicada com a homossexualidade): Ocean não só quebrou esse padrão, como fez questão de tornar tudo público na internet.
Depois disso, vieram quatro anos de silêncio pontuados por datas de lançamento anunciadas que nunca se concretizaram, nada de singles ou novidades .
A espera foi tão longa que virou parte da narrativa do disco antes mesmo de ele existir.
Quando finalmente chegou, já era, por si só, um acontecimento.
Blonde habita o território daquele momento de 2012 de forma muito mais complexa do que Channel Orange , já que a sexualidade dele, aqui, é parte do conceito.
Os pronomes são ambíguos, as histórias de amor não dizem quem é quem e tudo fica no imaginário.
Em “ Good Guy ”, por exemplo, há a descrição direta de um encontro num bar gay.
“ Seigfried ” é um mergulho nos conflitos de alguém que não sabe se deseja amor ou solidão.
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