Tecnologia na semente cresce, mas informação deve chegar ao setor
A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP
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A tecnologia embarcada em uma semente hoje é muito grande. São técnicas específicas, melhoramento, biotecnologia e até edição gênica chegando como solução. O importante, no entanto, é levar esse conhecimento a um número cada vez maior do setor e fazer com que o aproveitamento dessas tecnologias seja revertido em desenvolvimento.
Essa é a missão do Congresso Brasileiro de Sementes, que está em sua 23ª edição. As discussões envolvem toda a cadeia e buscam trazer tudo aquilo que está em evidência, sempre olhando para um público maior, afirma o presidente da Abrates (Associação Brasileira de Tecnologia de Sementes), Fernando Augusto Henning.
Odete Liberal, com 99 anos, e fundadora da entidade há 56 anos, afirmou na abertura do congresso nesta terça-feira (25), em Foz do Iguaçu , que o cenário de hoje é bem diferente daquele do início da entidade. Um dos objetivos era unir pessoas e discutir os desafios do setor.
Odete diz que eram tempos difíceis e que, com as facilidades de hoje, espera que todos conversem mais, se comuniquem e que saiam mais sábios das discussões que se desenrolam no congresso. Para Henning, a Abrates é uma associação que atende a todos os elos da cadeia, de produtor, pesquisador a estudante.
O congresso tem como objetivo levar todos os temas do setor à discussão, uma vez que a entidade congrega quatro comitês técnicos, referentes a sementes e espécies forrageiras, análise de sementes, patologia de sementes e sementes e espécies florestais. É uma cadeia que está muito bem estruturada, afirma.
Mas não é só tecnologia que será abordada neste congresso. Um dos assuntos mais espinhosos para o setor é o da propriedade intelectual. O mercado é extremamente demandante por tecnologia, por soluções, por novas cultivares, mas ainda busca "salvar" a semente e até revendê-la.
É necessária, também, uma evolução do próprio mercado, permitindo um retorno financeiro às empresas, para que elas continuem gerando esses ativos, segundo o presidente da entidade.
A Embrapa está na corrida pela edição gênica, desenvolvendo várias coisas. É uma tecnologia, no entanto, que ainda não está no mercado porque até agora não se organizou um sistema de valoração desse produto, diz o presidente da entidade.
"E aí, como é que vai haver uma retroalimentação do sistema de pesquisa sem uma injeção de dinheiro?, afirma. O setor de sementes tem vários desafios, na avaliação do presidente da entidade, e as discussões giram em torno de pilares centrais como colher, secar, beneficiar e armazenar.
"Poucas universidades estão pesquisando isso, e se deixou muito na mão das empresas para vender a solução direta ao produtor. Vejo que há um lapso temporal de geração de informação que de fato possa chegar e ser útil".
Henning cita o caso da chegada do bioinsumo no tratamento de sementes.
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