EUA: Recompra de títulos do Tesouro ‘trata sintomas, mas não resolve o problema’, avaliam UBS e JP Morgan
Um dia após o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciar planos de dobrar o número de recompras de títulos de longo prazo, o secretário Scott Bessent afirmou que pode aumentar novamente o volume de títulos do Tesouro que o governo irá recomprar.
“Vamos aumentar o volume da recompra”, disse Bessent em entrevista à CNBC nesta quinta-feira (20).
“Gostaria de ressaltar que o valor pode ser superior a US$ 4 bilhões por emissão”, acrescentou ele.
Segundo o secretário, a medida tem o objetivo de apoiar a liquidez em um segmento do mercado com poucos negócios, especialmente em agosto, ao mesmo tempo em que precisa competir com muitas emissões corporativas com rendimentos mais altos , inclusive para infraestrutura de inteligência artificial (IA).
Apesar da iniciativa ter provocado uma reação significativa no mercado dos Treasuries, como o recuo de quase 10 pontos-base dos rendimentos ( yields ) do título de 30 anos – que atingiu o maior nível em quase duas décadas na última terça-feira (18) ––, os estrategistas do UBS acreditam que os investidores devem evitar interpretar excessivamente suas implicações de longo prazo.
Isso porque, na visão do banco, a trajetória do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) ainda depende da inflação e não de intervenções.
“Embora o anúncio do Tesouro tenha ofuscado a ata da reunião de julho do Fed, o documento reforçou que a inflação continua sendo a principal preocupação dos formuladores de política monetária”, afirmaram os estrategistas, em relatório divulgado nesta quinta-feira.
LEIA TAMBÉM: Recompra de Treasuries alivia estresse do mercado, mas não muda tendência dos juros Já os analistas do JP Morgan afirmam não encontrar evidências de problemas de funcionamento no mercado de Treasuries que justificassem, neste momento, uma ampliação das recompras de títulos longos.
“As recompras realizadas pelo Tesouro têm como objetivo principal melhorar a liquidez e o funcionamento do mercado, oferecendo aos investidores uma forma previsível de vender títulos mais antigos — os chamados off-the-run — de volta ao governo.
No entanto, as métricas analisadas não apontam para uma deterioração relevante da liquidez”, destacaram os analistas.
“A dispersão dos preços dos títulos longos está próxima das mínimas de vários anos, enquanto a diferença de valuation entre títulos on-the-run e off-the-run também não mostra grandes distorções”, acrescentaram.
Para o JP Morgan, na verdade, a explicação para a intervenção é política.
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