Desconfianças em série levaram comitê a trocar escritório do caso Mariana, mudança que vai à Justiça
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A decisão do comitê de clientes do caso Mariana (MG) de trocar o escritório que representa milhares de brasileiros na Justiça da Inglaterra foi tomada após meses de conflitos com o Pogust Goodhead, banca que deu início à ação, segundo duas pessoas com conhecimento direto do assunto ouvidas pela Folha .
O processo inglês busca responsabilizar a BHP, gigante da mineração que detinha 50% da Samarco, pelo rompimento da barragem do Fundão, em 2015. A tragédia matou 19 pessoas, deixou mais de 2.000 desabrigadas e causou uma série de danos ambientais. A ação pede 36 bilhões de libras em indenização.
O Pogust defendia a causa desde o começo, mas o comitê decidiu trocá-lo pelo Bailey Glasser International, escritório dos Estados Unidos. A mudança abriu uma crise com a banca britânica, para quem o colegiado não tem legitimidade para substituí-lo.
Tanto o comitê quanto o Pogust foram à Justiça para discutir a troca. De um lado o grupo diz ter poderes para deliberar sobre quem representa as vítimas; de outro, o Pogust diz que não. Caberá à Justiça inglesa definir quem tem razão .
O juiz Adam Constable definiu nesta sexta (11) reunir as duas ações em uma só e marcou para outubro uma audiência para discutir os poderes do comitê.
Advogados a par do assunto dizem que uma das questões em jogo está no fato de que o Pogust diz ter contratos individuais em nome de todas as vítimas. Outra, por sua vez, envolve alegações de que o Pogust violou compromissos previstos em contrato —segundo o comitê, a mudança se deu por justa causa.
A decisão desta sexta provocou repercussões distintas. A CEO do Pogust, Alicia Alinia, disse que a medida é uma vitória para os clientes. Já a Bailey Glasser afirmou que a deliberação tem natureza apenas processual "e não resolve as questões em favor de nenhuma das partes".
O comitê foi criado em 2022 para viabilizar a interlocução entre o escritório e seus mais de 400 mil clientes. O grupo tomou uma série de decisões sobre os rumos do processo, como o aval para excluir 200 mil vítimas que assinaram acordo na Justiça brasileira e abriram mão do caso inglês.
A relação entre o comitê e a banca britânica, porém, começou a sofrer abalos no ano passado.
O primeiro mal-estar ocorreu no segundo semestre, depois que o advogado Thomas Goodhead , um dos idealizadores da banca, deixou a empresa por divergências internas. O colegiado só soube disso quando a notícia saiu na imprensa, segundo pessoas a par do tema.
A saída dele gerou uma debandada de advogados à frente do caso. Foram mais de 20 mudanças, segundo apurou a Folha, que na prática desidrataram a equipe original. Na avaliação de interlocutores do grupo, já não havia praticamente nenhum defensor que estivesse no caso desde que a disputa começou.
O comitê pediu esclarecimentos sobre as saídas e informações sobre a atual composição da equipe, mas diz nunca ter recebido respostas a contento.
O Gramercy aposta em litígios de risco no mundo todo. Injeta dinheiro em causas de grande valor e recebe de volta com juros. No caso do Pogust, foram mais de US$ 600 milhões desde 2018.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.