5 questões que precisam ser investigadas antes de tratar a ansiedade como um problema isolado
Compreender a evolução dos sintomas e o histórico do paciente é fundamental para uma avaliação diagnóstica mais precisa
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR A ansiedade está entre as queixas frequentes nos consultórios de saúde mental. Para o psiquiatra e pesquisador Nassir Ghaemi, porém, identificar esse sintoma não deveria encerrar a investigação clínica. Em sua abordagem, é necessário compreender o que está por trás da manifestação, considerando a possibilidade de ela estar associada a outras condições psiquiátricas, como depressão e transtorno bipolar.
O especialista compara a ansiedade à febre: embora ambas possam ser manifestações de diferentes condições, nem sempre representam, isoladamente, a origem do problema. A analogia sustenta sua crítica a uma prática que considera excessivamente concentrada no alívio dos sintomas, sem investigação suficiente das possíveis causas.
“A psiquiatria difere em um aspecto importante: não dispomos de bons exames laboratoriais. Como resultado, tornou-se comum que psiquiatras e outros profissionais de saúde mental se limitem ao nível dos sintomas”, afirma Nassir Ghaemi.
O pesquisador defende que a avaliação psiquiátrica considere não apenas o que o paciente sente no momento da consulta, mas também a trajetória dos sintomas, os episódios anteriores, o histórico familiar e as respostas a tratamentos já realizados. Sua posição vai além do entendimento clínico convencional, pois questiona se determinadas manifestações classificadas como transtornos de ansiedade constituem doenças independentes ou fazem parte de outros quadros.
A seguir, Nassir Ghaemi explica cinco questões que, em sua perspectiva, merecem atenção na investigação clínica da ansiedade.
Para Nassir Ghaemi, a primeira questão é distinguir o sintoma da condição que pode estar provocando sua manifestação. Assim como a febre pode ocorrer em diferentes doenças, a ansiedade pode aparecer em contextos clínicos distintos.
“Quando alguém apresenta ansiedade, isso não constitui uma doença específica por si só; é algo causado por outro fator. E, se não for causada por outro fator, trata-se simplesmente de uma característica da personalidade da pessoa”, afirma.
O psiquiatra considera que a ansiedade pode estar relacionada, entre outras possibilidades, à depressão e ao transtorno bipolar. Por isso, defende que a avaliação não parta automaticamente do sintoma para a definição de um diagnóstico independente.
A posição é controversa: as classificações e diretrizes psiquiátricas atuais reconhecem transtornos de ansiedade específicos, que podem ocorrer isoladamente ou em associação com outras condições. A questão levantada pelo pesquisador é se, em determinados casos, a investigação das possíveis causas e da hierarquia entre os diagnósticos recebe atenção suficiente.
Uma consulta oferece um retrato do estado do paciente naquele momento, mas nem sempre revela como o quadro se desenvolveu. Para Nassir Ghaemi, a evolução dos sintomas é fundamental para compreender seu significado clínico.
O médico cita o exemplo de uma mulher de 30 anos que procura atendimento por apresentar ataques de pânico.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.