Os animais sabem muito mais do que aparentam
Jornalista e doutora em estudos da literatura, é autora de 'A Cabeça do Santo' e 'Oração para Desaparecer'
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Um urubu tocou o sino de uma igreja na Colômbia , depois do terremoto que assombrou este começo de agosto. O que impressiona é o toque ritmado, pausado, como se fosse o coroinha mais meticuloso da paróquia.
Na legenda da notícia há um alerta sobre a imprecisão da imagem, da data exata, do local. Talvez não tenha sido bem assim, disseram. Mas vamos trabalhar com a crença: um urubu tocou o sino de uma igreja na Colômbia. Daqui partiremos.
Há também um cachorro que assiste à missa das cinco, todos os dias, em uma pequena cidade da Paraíba. E um gato que visita o túmulo do dono, semanalmente, em um lugar qualquer da Polônia.
Talvez mais casos de cachorros e gatos com o mesmo hábito existam mundo afora. E assim os animais estão nos contando que sabem mais, muito mais do que parecem saber. Talvez até mais do que nós mesmos, pobres humanos, constantemente aguardando sinais do apocalipse .
Na minha casa tenho quatro felinos: uma idosa sem carisma nem paciência, um monge de paz e sabedoria que fala palavras em português, um transtornado com problemas de ansiedade e um obeso carinhoso e feliz, apesar de apanhar muito do transtornado.
Diante de toda a minha dedicação a eles nesses 16 anos, o mínimo que espero é algum tipo de comunicação que me avise de sinais do apocalipse.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.