Sanções dos EUA não derrubam Irã e ampliam pressão sobre população
Seis meses após o início da guerra dos EUA contra o Irã, o regime iraniano resiste, enquanto a nova ofensiva econômica de Washington amplia a pressão sobre a população, informa o La Nacion.
Estados Unidos e Israel iniciaram em 28 de fevereiro uma campanha de bombardeios contra o Irã. Os ataques mataram o então líder supremo Ali Khamenei e integrantes do governo, mas não provocaram uma revolta popular nem dividiram a cúpula iraniana.
A ofensiva militar destruiu parte das forças aérea e naval iranianas e danificou seu programa de mísseis. As Forças Armadas do Irã recuperaram parte dos lançadores, atacaram aliados e bases dos EUA e passaram a controlar de fato o estreito de Hormuz.
Vários milhares de iranianos, incluindo crianças, morreram no conflito, embora os números sejam difíceis de verificar. Dezoito militares dos EUA também morreram, enquanto famílias iranianas enfrentam os efeitos dos bombardeios e da crise econômica.
Washington substituiu a ofensiva militar pela chamada Operação Pária Econômico, anunciada pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent. Ele afirma que a campanha busca retirar "até a última opção que resta ao Irã" e terminar apenas quando o regime ficar isolado.
Especialistas questionam a falta de definição sobre o objetivo americano com as novas sanções. Sanam Vakil, diretora do programa de Oriente Médio e Norte da África da Chatham House, diz que "a guerra não conseguiu cumprir os objetivos dos Estados Unidos".
O Irã já enfrenta milhares de sanções, o que limita o efeito de novas medidas econômicas sobre a decisão de Teerã. Sina Toossi, do Center for International Policy, avalia que Washington tenta obter por meio do estrangulamento econômico o que não alcançou em seis meses de guerra.
Autoridades iranianas defendem o fim da guerra, mas mantêm a exigência de retomar o memorando assinado em junho por Donald Trump. O governo iraniano também negocia com Omã uma forma de administrar o estreito de Hormuz, solução que pode não ser aceita por Washington.
O impasse pode levar a novos confrontos, na avaliação de Ali Vaez, diretor do projeto sobre Irã do International Crisis Group. "É mais provável que termine sendo o prelúdio de outra rodada de enfrentamento militar", afirma ele sobre o uso de sanções como alternativa à guerra.
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