Integração entre órgãos é essencial para frear crime organizado
“Segurança é um direito fundamental de todos nós.
É, sim, possível vencer o crime organizado.
Para isso, é preciso trabalhar de forma articulada e coordenada”, afirmou o diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Renato Sérgio de Lima, durante o talk “Combustível Ilegal: até quando o Brasil vai pagar essa conta?” , promovido pelo Metrópoles .
O bate-papo também contou com a presença do presidente do Instituto Combustível Legal (ICL), Emerson Kapaz.
Segundo estimativas do ICL, os crimes relacionados ao setor de combustíveis provocam prejuízos de aproximadamente R$ 30 bilhões por ano ao país.
Desse total, cerca de R$ 15,7 bilhões estão relacionados a roubos, furtos, adulteração, fraudes em bombas e postos piratas.
Outros R$ 14 bilhões decorrem de fraudes administrativas e fiscais.
Na avaliação de Kapaz, o tamanho da infiltração criminosa na cadeia produtiva é ainda mais amplo.
O crime organizado está do poço ao posto.
Ele está em distribuidoras, está em algumas refinarias, está em transportadoras que fazem o transporte, no sistema financeiro, nas maquininhas de fintech e em redes de postos de combustíveis.
Emerson Kapaz, presidente do Instituto Combustível Legal (ICL) Para dimensionar o problema, Emerson Kapaz ainda pontuou as investigações que ajudaram a entender como as movimentações financeiras no setor passavam despercebidas, por exemplo, do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
Com destaque para a Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025, que teve 320 mandados de busca e apreensão e identificou R$ 52 bilhões em movimentações financeiras relacionadas a fundos e fintechs investigadas.
“Quando veio a Operação Carbono Oculto, a gente percebeu que o sistema financeiro estava mais do que nunca contaminado através das fintechs e de fundos offshore”, ressaltou.
De acordo com ele, muitas fintechs utilizavam a conta bolsão – um sistema que possibilita esconder os valores de instituições de controle como a Receita Federal e o Banco Central.
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