Eleições na Alemanha podem definir sobrevivência de Merz
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O nome de Friedrich Merz não estará em nenhuma cédula neste domingo (20), na Alemanha , mas é uma resposta sobre seu futuro como primeiro-ministro que emergirá de duas eleições estaduais em que a AfD, partido de extrema direita, espera mais uma vez dobrar suas votações.
Há duas semanas, em Saxônia-Anhalt, a AfD (Alternativa para a Alemanha, em português) alcançou quase 44% dos votos e ficou muito próxima de formar seu primeiro governo. Se consumado, será um marco para o país, que construiu um sistema político e garantias constitucionais para evitar um novo partido nazista após o Holocausto e a derrota na Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
Desta vez, a despeito do crescimento da legenda, que tem integrantes investigados por discurso de ódio e neonazismo, as pesquisas de opinião sugerem uma tarefa mais difícil. Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, a social-democrata Manuela Schwesig busca a reeleição após reverter mais de dez pontos percentuais de desvantagem para a sigla populista. Em Berlim , A Esquerda e a CDU (União Democrata-Cristã) de Merz lideram numericamente a corrida.
Descrito dessa forma, a partir de uma eventual vitória do SPD, parceiro de coalizão, no nordeste do país, e uma primeira ou segunda colocação na capital federal, o quadro não parece tão feio para o premiê. A desgraça, porém, aparece nos detalhes.
Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, um dos estados mais pobres da Alemanha, a sigla de Merz corre o risco de não superar a cláusula de barreira de 5%, algo que seria inédito em seus 81 anos de existência. Lideranças locais afirmam sem rodeios que a culpa seria do primeiro-ministro, de trato difícil e insensível a demandas básicas da população.
A impopularidade de Merz alcançou novo recorde negativo na última semana, com 88% de insatisfeitos e apenas 10% de aprovação. Eleito em 2025, o conservador pena para emplacar reformas complexas em um país há anos com a economia estagnada. Defender mudanças na Previdência e cortes em benefícios sociais, "enquanto a AfD anuncia todo tipo de coisa", como descreve um político da CDU, não ajuda.
A perda de protagonismo no campo da direita parece ser a principal preocupação dos democratas-cristãos, principalmente na base da legenda. Leif-Erik Holm, principal candidato da AfD em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, explora exatamente isso em sua campanha. Os votos que faltam para o partido, costuma dizer, "não estão na extrema direita, mas no centro".
Holm é considerado um moderado dentro da AfD, da primeira fase da sigla, criada por economistas durante a crise do euro . Em seu estado, no entanto, os quadros mais jovens do partido foram recrutados em fraternidades estudantis radicalizadas, segundo reportagem do jornal Die Zeit.
Tanto que Schwesig, sua principal adversária, descreve-se na campanha como a "mulher contra o azul".
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.