Depois de anos de crescimento acelerado, as maiores grifes de luxo do mundo perdem brilho
Por décadas, o grupo francês LVMH converteu o desejo de exclusividade em uma máquina de gerar riqueza.
Dono de Louis Vuitton, Dior, Tiffany, Bulgari, Moët & Chandon e Hennessy, entre outras marcas, reúne 75 maisons e chegou ao posto de empresa mais valiosa da Europa.
O auge ocorreu em 2023, quando sua cotação no mercado ultrapassou 450 bilhões de euros, embalada pela expansão do consumo de luxo após a pandemia.
Desde então, porém, o brilho diminuiu.
A capitalização do grupo recuou para 203 bilhões de euros, uma queda de mais de 50% em pouco mais de três anos.
Depois de um longo período de vendas em alta e reajustes sucessivos de preços, as grandes grifes agora enfrentam consumidores mais criteriosos, o enfraquecimento da demanda chinesa e o desafio de encontrar novos caminhos para crescer.
A primeira ruptura veio dos próprios consumidores.
Depois de anos ampliando sua base e atraindo milhões de novos clientes, o mercado de luxo viu parte desse público desaparecer.
De 2022 a 2025, o número de compradores no mundo recuou de cerca de 400 milhões para 340 milhões, uma queda de 15%, segundo a consultoria americana Bain.
O afastamento ocorreu sobretudo entre os consumidores aspiracionais, que compram ocasionalmente uma bolsa, um relógio ou uma peça de grife.
Ao mesmo tempo, algumas das principais marcas elevaram os preços de 50% a 70% desde 2019, tornando os produtos menos acessíveis.
Com isso, as grifes passaram a depender de uma parcela menor e mais abastada da clientela.
“O problema é que essa concentração reduz o espaço para crescimento e torna mais difícil repetir o ritmo de alta da última década”, diz Achim Berg, da consultoria alemã de moda Fashion Sights.
DINASTIA – Bernard Arnault, da LVMH: sucessão familiar põe à prova o futuro do grupo Christophe Morin/Bloomberg/Getty Images A mudança tornou mais evidente uma diferença que o crescimento do setor ajudava a encobrir: o luxo está longe de ser um mercado homogêneo.
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