Mercado se preocupa com controle da inflação após corte da Selic
O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic de 14,25% para 14% ao ano, em uma decisão amplamente esperada pelo mercado.
Apesar do corte, o comunicado divulgado pelo BC (Banco Central) não fechou completamente as portas para novas reduções, o que levou investidores a recalibrar suas expectativas para os próximos passos da política monetária.
O movimento, porém, teve efeitos diferentes sobre as taxas de juros.
Enquanto os juros de curto prazo recuaram após a decisão, as taxas de longo prazo avançaram.
De acordo com Marilia Fontes, apresentadora do Resenha do Dinheiro, isso mostra uma preocupação do mercado com a capacidade da política monetária de controlar a inflação.
“O mercado começou a precificar que essa ação poderia acontecer e, como consequência disso, a taxa de juro de curto prazo do mercado caiu, mas a taxa de juro de longo prazo subiu 10 pontos-base no dia seguinte”, afirma Marilia.
A diferença entre os movimentos é importante porque as taxas de longo prazo influenciam o custo do crédito e as decisões de investimento e financiamento da economia.
Para a apresentadora, o problema não está na queda dos juros em si, mas na percepção de que uma redução neste momento pode não ser suficiente para conter a pressão inflacionária.
Parte dessa cautela também está relacionada ao cenário internacional.
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