Americanas (AMER3): do rombo de R$ 20 bi ao fim da recuperação judicial
A Justiça do Rio de Janeiro decretou nesta segunda-feira (19) o encerramento da recuperação judicial da Americanas (AMER3) , concluindo uma etapa iniciada há três anos e nove meses e que teve origem em um dos maiores escândalos empresariais recentes do país.
A decisão veio após a companhia sustentar que cumpriu as obrigações previstas para os dois primeiros anos do plano homologado pela Justiça.
O encerramento fecha o ciclo judicial aberto poucos dias depois de a varejista surpreender o mercado, em janeiro de 2023, ao revelar cerca de R$ 20 bilhões em “inconsistências contábeis” .
Desde então, a Americanas passou por recuperação judicial, revisão de balanços, negociação com credores, capitalização bilionária, investigações sobre a fraude e uma ampla reestruturação financeira e operacional.
Leia também Americanas (AMER3): ação salta 25% após Justiça decretar fim da recuperação judicial A Americanas havia requerido, em março, o encerramento do processo, sob a alegação de que todas as obrigações do plano foram cumpridas ao longo dos dois anos seguintes à homologação do caso Da descoberta das irregularidades ao fim da recuperação judicial, relembre os principais capítulos da crise.
11 de janeiro de 2023 — Americanas revela inconsistências de R$ 20 bilhões A crise começou publicamente na noite de 11 de janeiro.
A Americanas informou ter identificado, em análise preliminar, cerca de R$ 20 bilhões em inconsistências contábeis relacionadas à conta de fornecedores .
Sergio Rial, que havia assumido a presidência da companhia poucos dias antes, e o diretor financeiro André Covre deixaram seus cargos.
Naquele primeiro comunicado, a própria empresa dizia ainda não conseguir determinar todos os impactos das inconsistências e afirmava acreditar que o efeito sobre o caixa seria imaterial.
A dimensão real do problema só começaria a aparecer nos dias seguintes.
12 de janeiro de 2023 — Mercado dimensiona o tamanho da crise No primeiro pregão depois da revelação, o choque chegou ao mercado.
AMER3 perdeu quase 80% de seu valor em Bolsa, enquanto bancos e casas de análise suspenderam recomendações diante da falta de visibilidade sobre as contas da companhia .
A crise também rapidamente atingiu o crédito.
No dia seguinte, a Fitch cortou o rating da Americanas de BB para CC , citando a perspectiva de forte aumento da alavancagem caso os R$ 20 bilhões fossem incorporados às obrigações financeiras.
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