Lula terá de iniciar quarto mandato antes da posse
A vitória de Lula não encerrou a eleição. Inaugurou a fase da cobrança. A reeleição foi produzida por dois movimentos surgidos à margem da campanha oficial. O próprio Lula reconheceu que a juventude nas ruas e o exército de André Janones no Zap impulsionaram o comparecimento maciço de eleitores que haviam faltado ao primeiro turno. O resultado foi uma derrota de Flávio Bolsonaro maior do que a imposta por Lula a Jair Bolsonaro em 2022.
A virada eleitoral não apagou as razões que levaram a aprovação do governo ao vermelho. Ao contrário: deixou claro que Lula precisará governar para além da parcela do eleitorado que o reelegeu. A promessa de um quarto mandato inteiramente diferente terá de começar a ser cumprida antes de janeiro. No dia seguinte à eleição, a Bolsa despencou e o dólar disparou. Em Brasília, o centrão ensaia a adesão ao governo reeleito.
Durante a campanha, Lula elevou em quase R$ 300 bilhões os gastos com a expansão e a criação de novas políticas públicas. Precisa ajustar as contas sem desfazer a aliança com o asfalto. Preservar os investimentos sociais exigirá cortar emendas parlamentares e rever isenções fiscais do empresariado. É uma equação difícil: o Congresso quer dinheiro, o mercado cobra previsibilidade e o asfalto exige mudanças. A mágica prometida por Lula — fazer o melhor dos seus quatro mandatos — começa antes da posse.
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