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Lula e Flávio Bolsonaro prometem mais saúde, mas nenhum diz quem vai pagar a conta

Folha de S.Paulo ·
Lula e Flávio Bolsonaro prometem mais saúde, mas nenhum diz quem vai pagar a conta

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Os programas de governo de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro ( PL ) para a saúde partem de diagnósticos opostos sobre o papel do Estado, mas compartilham uma mesma fragilidade: metas pouco quantificadas e financiamento não equacionado.

Isso ocorre num momento em que o orçamento da Saúde enfrenta restrição histórica. Uma nota técnica do Senado aponta uma restrição de R$ 105,5 bilhões nas despesas não obrigatórias da União em 2026, com a Saúde entre as pastas mais atingidas.

O programa de Lula aposta quase inteiramente na continuidade de políticas já em execução: Mais Médicos, Farmácia Popular, Agora Tem Especialistas e digitalização do SUS . A vantagem é ter histórico de execução para mostrar (e resultados parciais mensuráveis para cobrar), o que também é uma desvantagem.

O Agora Tem Especialistas, principal aposta para reduzir filas, é exemplo disso: apesar de ter alcançado cerca de 15 milhões de cirurgias em 2025, maior volume da história do SUS, o programa teve fragilidades de execução escrutinadas pelo TCU (Tribunal de Contas da União) .

O programa de Flávio Bolsonaro propõe uma reformulação mais ampla, batizada de "Plano Real da Saúde" e conduzida pelo ex-ministro Marcelo Queiroga: correção da tabela SUS, migração para pagamento por desempenho (em vez de por volume de procedimentos) e prontuário único interoperável com o setor privado.

É um diagnóstico que dialoga com debates já em curso dentro do próprio SUS, mas apresentado sem estimativa de custo, prazo ou fonte de recursos, vácuo que especialistas apontam como risco de aumento permanente de despesa sem compensação orçamentária, justamente o tipo de contradição que o programa tenta evitar ao prometer, ao mesmo tempo, forte disciplina fiscal.

Ambos apostam em capacidade ociosa do setor privado para reduzir filas, com desenhos diferentes. O Agora Tem Especialistas amplia parcerias com hospitais privados em troca de crédito financeiro e mostra resultado real. Por exemplo, cirurgias eletivas subiram de 10,8 milhões em 2022 para 14,7 milhões em 2025. Mas o TCU pondera que ainda é cedo para saber se isso reduziu o tempo de espera, apontando como gargalo a falta de integração de dados para acompanhar a fila na ponta .

Já o programa de Flávio propõe contratar exames em horários ociosos da rede privada, proposta que Mario Scheffer, professor de medicina preventiva da USP, classifica como repaginação do "Corujão da Saúde" de João Doria em São Paulo, e que considera menos elaborada que o programa equivalente de Lula.

Em ambos os casos, a crítica de fundo é a mesma: aproveitar capacidade ociosa não ataca os gargalos de infraestrutura, pessoal e integração de sistemas. São soluções paliativas, não estruturais.

Os dois programas prometem prontuário eletrônico único, proposta que não é exclusividade de nenhum candidato.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.

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