O Brasil no radar do mundo (por Marcos Magalhães)
Todos os que já foram mordidos pela síndrome do vira-lata vão achar um exagero.
Mas as eleições brasileiras de outubro vão ser examinadas com lupa por todo o mundo.
Os resultados dirão se o país impõe – ou não – um freio ao avanço da extrema direita global.
Desde que o Brasil voltou a eleger diretamente seus presidentes, em 1989, os nomes dos eleitos apareciam discretamente nas editorias internacionais dos principais jornais do mundo.
O revezamento entre centro-direita e centro-esquerda no poder soava como sinal de amadurecimento da democracia.
A partir de 2018, porém, esse ciclo moderado se fechou.
O capitão Jair Bolsonaro se orgulha de ter içado a “direita ideológica” ao topo da agenda política.
À pancadaria verbal do ex-presidente seguiu-se a pancadaria real em 8 de janeiro de 2023.
As cenas de vandalismo em Brasília chamaram a atenção do mundo a este país tropical que há muito tempo já não era associado à violência política.
Poucas vezes na história uma multidão enfurecida com a derrota de seu líder terá destruído até obras de arte nos palácios.
Pois os vândalos foram julgados – alguns com certo exagero nas penas – e o antigo presidente se encontra em prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado.
Os quase quatro anos que se seguiram tiveram a aparência de volta à normalidade.
Mas o quadro mudou.
Em meio a uma crise sem precedentes no Supremo Tribunal Federal, a sociedade vive o desconforto de uma campanha eleitoral vazia de ideias e plena de acusações.
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