Como traficantes mexicanos driblam maior fiscalização em laboratórios clandestinos
Desde a década de 1990, a metanfetamina é produzida em grande escala no México Rashide Frias/AFP/DW A descoberta de um suposto megalaboratório de metanfetamina no estado mexicano de Chihuahua em meados de setembro reacendeu o debate sobre a força da indústria das drogas sintéticas no México.
Embora o governo tenha intensificado as operações contra o narcotráfico sob pressão dos Estados Unidos, especialistas afirmam que os cartéis vêm adaptando seus métodos de produção e distribuição.
Enquanto o mercado de fentanil dá sinais de retração, a metanfetamina continua em expansão, impulsionada por técnicas de fabricação mais baratas e pela persistente demanda nos EUA e no próprio México.
"Cem mil doses diárias de metanfetamina que não chegarão mais às nossas ruas, a nenhum jovem, a nenhuma família de Chihuahua, e que não vão cruzar a fronteira", comemorou a governadora do estado mexicano de Chihuahua, María Eugenia Campos, após a descoberta de um suposto laboratório clandestino de drogas, que chamou atenção por suas dimensões.
A instalação, localizada nas proximidades da cidade de Parral, supostamente era capaz de produzir até 100 quilos de metanfetamina por dia.
Agora no g1 Dimensão da produção de drogas Inicialmente, os traficantes mexicanos buscaram reduzir a dependência da cocaína colombiana investindo na produção de drogas sintéticas, explica o analista político e especialista em segurança David Saucedo.
Segundo ele, enquanto os grandes cartéis instalaram complexos industriais clandestinos, como o de Chihuahua, com cerca de mil metros quadrados destinados à produção de metanfetamina, organizações menores passaram a operar laboratórios rudimentares, com apenas cinco metros quadrados, em áreas isoladas, onde a dispersão dos vapores tóxicos é mais fácil.
Contudo, diante da forte pressão do governo dos Estados Unidos para desmantelar os chamados "macrolaboratórios", os grandes cartéis estariam migrando para estruturas menores, o que lhes permitiria escapar mais facilmente das operações policiais e reduzir prejuízos em caso de apreensões, afirma Saucedo.
Depois que o presidente americano, Donald Trump, ameaçou atacar laboratórios com mísseis, os grupos criminosos teriam inclusive transferido parte de suas "cozinhas" de drogas para áreas urbanas.
Na avaliação de Saucedo, o objetivo seria aumentar o risco de mortes de civis caso ocorresse um ataque, elevando assim o custo político e midiático para os EUA.
Menos fentanil, mais metanfetamina José Andrés Sumano Rodríguez, pesquisador do Colégio da Fronteira Norte, explica à DW que os traficantes mexicanos dominaram o método de produção baseado no precursor químico conhecido como P2P, fundamental para a fabricação de metanfetamina.
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