‘Jogou a vida na luta contra o arbítrio’: militantes e amigos se despedem de Amelinha Teles em SP
Na tarde desta quarta-feira (16), centenas de militantes, parlamentares e integrantes de movimentos populares se reuniram em despedida e homenagem à jornalista, escritora, defensora dos direitos humanos e símbolo de resistência Maria Amélia de Almeida Teles, a Amelinha Teles, que faleceu na terça-feira (15) , aos 81 anos.
O velório ocorreu na reitoria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), na zona sul da capital paulista, com sepultamento no final da tarde, no Cemitério de Vila Formosa, na zona leste.
Presente na despedida, o ex-deputado e dirigente histórico do PT José Genoino ressaltou a importância de resgatar a trajetória da ativista , com quem esteve detido na Operação Bandeirantes (Oban) e no Dops durante o regime militar. “É um resgate importante de uma companheira que jogou a vida na luta contra o arbítrio, contra a ditadura e na defesa dos direitos humanos e pela plataforma da luta das mulheres”, disse.
Ao longo do velório, o espaço da Unifesp foi tomado por centenas de coroas de flores enviadas por entidades e movimentos populares de diversas regiões do país, como as Promotoras Legais Populares (PLPs) de diferentes cidades brasileiras.
Durante a cerimônia, amigos e companheiros de militância destacaram a postura de enfrentamento de Amelinha aos crimes cometidos pelo Estado brasileiro e sua contribuição para as lutas populares.
Ex-deputado e ex-presidente da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo “Rubens Paiva”, Adriano Diogo destacou a dimensão histórica da ativista, com quem conviveu desde o período em que estiveram presos durante a ditadura militar.
“A Amelinha esteve presente em tudo o que teve no Brasil de resistência à ditadura, de enfrentamento aos militares e aos torturadores, e da condenação do Ustra como torturador”, declarou o ex-parlamentar.
A professora e militante Ronilde Rocha enfatizou que o legado de Amelinha se desdobrou em duas frentes complementares: a denúncia firme das violações do regime militar e a organização social no presente.
“Ela deixa sementes pelo Brasil inteiro com essa organização das mulheres para a luta de resistência e pela dignidade das condições de vida. A melhor homenagem que a gente pode prestar para a Amelinha é continuar a luta”, avaliou a educadora.
Nascida em Contagem (MG), Amelinha iniciou a militância política na juventude, no Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Em 28 de dezembro de 1972, foi presa em São Paulo e levada ao DOI-Codi, onde sofreu torturas físicas e violência sexual praticadas pelo coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra .
Na mesma ocasião, seus filhos pequenos, Edson e Janaína, também foram sequestrados pela repressão e levados ao centro de tortura.
Após o período de detenção, atuou na Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, no levantamento da Vala de Perus e na produção dos primeiros dossiês sobre as vítimas do regime militar.
Em 2005, a família Teles moveu uma ação declaratória contra Ustra.
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