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Embaixador na UE 'preocupado': embargo à carne e frango entra em vigor hoje

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Embaixador na UE 'preocupado': embargo à carne e frango entra em vigor hoje

No fim de julho, o presidente Lula enviou uma carta à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, solicitando que o Brasil fosse retirado da lista de países que, a partir de hoje, não poderão exportar uma série de produtos de origem animal para o mercado europeu, entre eles carne bovina, frango e mel, por descumprimento do regulamento sobre uso de antimicrobianos. Até ontem, confirmaram fontes oficiais à coluna, a carta não tinha sido respondida. O dia D chegou para os produtores brasileiros, que poderiam, caso a medida não seja revertida no curto prazo, amargar um prejuízo anual estimado em US$ 2 bilhões.

A informação sobre o envio da carta foi revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo. A resposta da presidente da Comissão Europeia, confirmaram à coluna fontes oficiais, poderia chegar nos próximos dias ou semanas. Mas a expectativa do governo brasileiro era de que a carta de Von der Leyen tivesse sido enviada antes, dando algum panorama para o país antes do fatídico 3 de setembro. Mas não aconteceu.

No texto recebido em Bruxelas no final de julho, Lula explicava o dano que a medida causará ao setor produtivo brasileiro, e reiterava que o Brasil já tinha entregado toda a informação e garantias necessárias para que o país pudesse ser retirado da lista.

O embaixador do Brasil à frente da delegação brasileira na UE, Pedro Miguel da Costa e Silva confessa estar "preocupado e frustrado". Em entrevista à coluna, o embaixador admitiu: "Estou preocupado com o grande prejuízo para o Brasil e decepcionado porque este deveria ser o momento em que deveríamos estar concentrados em buscar o máximo de resultados do acordo [de livre comércio entre Mercosul e UE], e estamos enfrentando novas barreiras, novas dificuldades no mercado europeu".

O Brasil esperava ter conseguido reabrir pelo menos parcialmente o mercado para o país antes de 3 de setembro. Foram realizadas reuniões virtuais e presenciais com os europeus, houve troca de correspondência, e, finalmente, uma missão de auditoria chegou ao Brasil no dia 24 de agosto e encerrará seu trabalho na sexta-feira.

"Meu objetivo, além de brigar pela reinclusão do Brasil na lista [dos países que podem exportar para o mercado europeu], é garantir que este tema não seja transformado em mais uma narrativa contra o Brasil de maneira totalmente errada e injusta, de dizer que é problema de qualidade e cumprimento de norma", explicou o embaixador em Bruxelas.

Quando deveria estar celebrando o entendimento entre Mercosul e UE, o Brasil vive o paradoxo de estar tentando superar barreiras ao mercado europeu, que não terminam por aqui. Em 1º de julho, a UE substituiu a antiga salvaguarda temporária ao aço por um novo regime permanente (Regulamento (UE) 2026/1384) que, entre outras alterações, modifica tarifas e regras de origem.

A partir de 30 de dezembro, entrará em vigor o Regulamento Europeu sobre Desmatamento, aprovado em 2023, que proíbe a exportação ao mercado europeu de produtos associados a desmatamento ou degradação florestal ocorridos após 31 de dezembro de 2020.

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