Venezuela sinaliza interesse em reunião com Lula, mas encontro não ocorrerá
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodrigues, mandou recados ao Brasil sinalizando que gostaria de ter um encontro com Lula. Ela está em Nova York para a Assembleia Geral da ONU, assim como Lula, e faz um esforço para se habilitar junto a líderes globais.
A agenda porém, não acontecerá, já que o presidente brasileiro deixará a cidade pouco depois de proferir seu discurso no púlpito das Nações Unidas, por volta de meio-dia.
Delcy, que assumiu a presidência depois que o governo dos EUA retirou Nicolás Maduro militarmente de Caracas, em janeiro, terá seu primeiro breve encontro presencial com Donald Trump na noite de hoje, durante uma recepção que o chefe de Estado anfitrião tradicionalmente oferece aos visitantes.
Oficialmente, o motivo alegado por fontes do governo brasileiro para que a reunião com Delcy não acontecesse foi a falta de tempo na agenda de Lula, que, de fato, passará menos de 48 horas nos EUA e enfrenta o primeiro turno da eleição presidencial em menos de duas semanas, no próximo dia 4.
Mas, até pela proximidade do pleito, havia quem questionasse a conveniência do encontro, em um momento em que o governo venezuelano está cedendo grandes reservas de petróleo para exploração pelo governo dos EUA.
Ontem, em entrevista à CNN Internacional, Lula chegou a dizer que Delcy deveria convocar eleições imediatamente e afirmou que "os Estados Unidos passam a ideia de que estão governando a Venezuela".
"Em todos os documentos que lemos e nos acordos, parece que os Estados Unidos são os grandes chefes da Venezuela. A soberania do país acabou. Isso não é bom. Não é bom para os Estados Unidos, não é bom para a Venezuela e não é bom para a democracia", afirmou Lula.
As críticas foram consideradas duras até por auxiliares de Lula, que previam uma breve menção ao assunto, em tom mais ameno, no discurso do presidente na ONU.
Historicamente, a Venezuela é um tema que provoca constrangimentos ao petista, acusado de acobertar os desvios antidemocráticos e os abusos de direitos humanos dos chavistas, embora o governo Lula não tenha reconhecido o resultado eleitoral divulgado por Maduro no pleito de 2024.
Agora, o Palácio do Planalto vê como prioritário manter a estabilidade política e econômica na Venezuela, que faz fronteira com o Brasil. Crises migratórias já afetaram fortemente estados da região Norte.
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