Bebês na Europa vão vivenciar duas vezes mais queimadas extremas do que seus bisavós
Devido ao grave curso atual da crise climática, bebês europeus enfrentarão quase o dobro de queimadas extremas em comparação com seus bisavós.
É o que prevê uma pesquisa publicada por pesquisadores da Universidade Livre de Bruxelas, na Bélgica, divulgada nesta segunda-feira (21).
O estudo calcula que uma criança nascida na Europa em 2025 viverá mais de três anos adicionais em condições climáticas propícias a queimadas, em comparação com uma criança nascida em 1950.
A grande maioria (86%) desse aumento se deve às mudanças climáticas, e não à melhoria da expectativa de vida.
"Os jovens foram os que menos contribuíram para as mudanças climáticas, mas viverão com suas consequências por mais tempo", observa em comunicado a líder do estudo, Rosa Pietroiusti, pesquisadora de doutorado na Universidade Livre de Bruxelas.
"É por isso que movimentos de justiça climática liderados por jovens e iniciativas legais estão exigindo ações climáticas mais ambiciosas de governos e empresas agora, para que os piores impactos dos futuros riscos relacionados ao clima possam ser evitados." Mediterrâneo em chamas No ano passado, as queimadas desvataram a maior área já registrada na Europa (mais de 1 milhão de hectares), com Espanha e Portugal sendo os países mais afetados.
Em 2026, incêndios já causaram impactos devastadores na França, Espanha e Bélgica, impulsionados em grande parte por ondas de calor repetidas desde o início do verão.
A região do Mediterrâneo, que já é duramente atingida por incêndios florestais, deve enfrentar a situação mais grave.
Em um cenário de aquecimento global de 2,6 °C até 2100, compatível com as políticas climáticas atuais, pessoas nascidas ali em 2025 poderão passar até 2,5 vezes mais tempo expostas a condições climáticas extremas favoráveis a incêndios do que as nascidas em 1950 — o equivalente a cerca de cinco anos adicionais ao longo da vida.
Em Portugal, os resultados também chamam a atenção, já que o número de dias com as condições extremas propícias a incêndios deve mais que duplicar, passando de 14 dias por ano entre 1950 e 1970 para 32 dias por ano até 2100.
As crianças nascidas no país em 2025 deverão passar cerca de 6,5 anos da sua vida em condições meteorológicas de queimadas extremas.
A cada grau adicional de aquecimento global até o final do século, elas viverão 272 dias a mais nessas circunstâncias.
Atitudes necessárias Limitar o aquecimento global a 1,5°C, em conformidade com o Acordo de Paris, melhoraria o cenário em toda a Europa.
Uma medida importante seria reduzir rapidamente o uso de combustíveis fósseis, o que já por si só diminuiria em 1,3 anos o tempo de exposição aos incêndios em todo o continente europeu, e em pelo menos 2 anos para as regiões mais afetadas no sul da Europa.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em revistagalileu.globo.com — o conteúdo pertence a Galileu.