Da invisibilidade ao palco, o Rap roraimense sobe os degraus enfrentando o preconceito
Rap encerrou a programação do Mormaço no Teatro e retornará na programação no Parque Rio Branco (Foto: PMBV) Mal terminou o show da turma do Rap, no palco externo no Teatro Municipal de Boa Vista, encerrando a primeira parte do Festival Mormaço Cultural 2026, na noite de domingo, um perfil nas redes sociais apressou-se para criticar a apresentação com os típicos jargões que tratam o movimento hip hop com preconceito racial e social.
Em um ato repugnante, a cena hip hop cai muito bem dentro desse espectro do ataque sórdido, pois esse movimento sempre é colocado na marginalidade e na exclusão social historicamente.
Logo, não é difícil usar o preconceito, o racismo e a ignorância para atacar esse movimento cultural e artístico, o colocando como uma “apresentação esvaziada” e de “apologia ao crime”.
Não faz muito tempo, um presidente do Brasil desrespeitava o rito do seu importante cargo, usando palavrões, xingamentos e despautérios, inclusive legitimando pastores evangélicos que também passaram a se sentir à vontade para também usar palavrões no púlpito de igrejas.
No entanto, a hipocrisia impedia que surgissem movimentos condenando esse tipo de comportamento praticado em entrevistas e transmissões ao vivo nas redes sociais, da mesma forma e intensidade que condenam o Rap.
A história do Rap brasileiro vem desde a década de 1970, produzindo rimas musicadas que narram de modo crítico o cotidiano das chamadas “quebradas”, falando a linguagem da periferia, denunciando a marginalidade, violência policial, pobreza e a exclusão social.
Em Roraima, suas raízes de ancestralidade africana ganharam uma nova construção identitária, em que o movimento arrebanhou indígenas em situação urbana, migrantes e até mesmo os brancos pobres que vivem da jornada 7 x7 do subemprego.
E esse contexto estava bem representado naquele palco de domingo, no Teatro, sob o comando de @makaco.mk , em que o movimento hip hop se orgulhava de estar bem representado e com os artistas do Rap sabendo que estavam cumprindo o papel não só da contestação, mas da contradição dentro de uma sociedade que aprendeu a marginalizá-los e criminalizá-los – daí o “esvaziamento” natural desses eventos, o que não representa desprestígio; ao contrário, mais um degrau conquistado sob muita luta e invisibilidade.
O primeiro degrau foi um grande feito do MC Frank, que protagonizou o show “É tudo nosso”, no dia 19 de setembro, no Mormaço Cultural de 2025, e que se despediu do palco da vida quase um mês depois da apresentação, em 16 de outubro, vítima de um câncer que foi sua última batalha.
Foi o maior show do Rap roraimense, tornando-se um marco que deu novo fôlego a quem se acostumou a se apresentar em praças públicas em eventos marginalizados.
O legado agora está nas mãos dessa nova geração.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folhabv.com.br — o conteúdo pertence a Folha de Boa Vista.