Diretoria vê 'conspiração' contra gestão do tênis de mesa; interventor nega
O Superior Tribunal de Justiça Desportiva revogou uma decisão monocrática do presidente do Conselho de Ética da Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM), que afastou a diretoria eleita e nomeou um interventor — cabe recurso.
O movimento foi baseado em uma denúncia anônima, com decisão em poucas horas, e foi avaliado pela cúpula como uma conspiração, ponto que foi negado por quem assumiria como interventor.
Já imaginou se a moda pega, o perigo que é isso para o desporto olímpico brasileiro? Basta uma pessoa, ao acordar, resolver fazer uma denúncia anônima e a denúncia ser acatada em 12 horas, ou até menos, e instituir uma diretoria ou um comitê inteiro de uma confederação? Vilmar Schindler, presidente da CBTM
A diretoria da CBTM foi afastada em decisão monocrática de Gustavo Lopes Pires de Souza, presidente do Conselho de Ética. De acordo com nota da cúpula da entidade, "com base em dispositivo inexistente do Regimento Interno do Conselho de Ética da CBTM e sem ter realizado nenhum ato de apuração dos fatos", ele "determinou, de forma sumária, o afastamento de todos os administradores da entidade por 30 dias".
Foi uma coisa muito bem orquestrada. Se você pegar o mapa, digamos assim, é um ato conspiratório essa situação... É assim que vejo toda essa proposta. Vilmar Schindler, presidente da CBTM
Segundo o UOL apurou, uma denúncia anônima de diversas páginas foi recebida na segunda-feira (10) à noite e o presidente do órgão divulgou a decisão às 7h do dia seguinte, sem que houvesse uma investigação quanto ao que foi relatado ou os citados fossem ouvidos. Além do afastamento dos diretores, o documento nomeou o advogado Marcelo Jucá como interventor.
Na forma, no tempo que foi, sem direito algum à apresentação de defesa. Foi uma situação totalmente sem amparo nos regimentos e estatuto. Tudo é passível de resposta, mas dentro dos órgãos competentes. Havia ponto referente à governança e que deveria ser encaminhado, por exemplo, para o Conselho de Administração para saber se, de fato, havia alguma irregularidade. Geraldo Campestrini
Marcelo Jucá, que já foi presidente do Tribunal de Justiça Desportiva do Rio de Janeiro (TJD-RJ), prestou serviços à CBTM entre 2008 e 2025, quando a entidade ainda era comandada por Alaor Azevedo. Foi Jucá que, em 2021, indicou Gustavo Souza, hoje presidente do Conselho de Ética — eleito pela Assembleia Geral e reeleito em 2024. Esse cenário é um ponto que a diretoria da CBTM chama a atenção.
Jucá chegou a enviar um email às federações se apresentando, o que causou espanto. Um membro do Conselho de Ética e que é presidente de uma federação soube apenas através desta comunicação sobre o afastamento.
Gustavo Souza foi quem indicou Bruno Vicentin, em 2021, para um cargo excepcional. Desde 2023, Vicentin integra o Conselho de Ética. Nomeado secretario do Processo Ético pelo presidente do Conselho, ratificou a decisão.
A diretoria da CBTM recorreu ao STJD, que revogou todos os atos praticados por Souza e reconduziu os diretores aos cargos em sentença proferida na última quinta-feira (13).
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