'Ele foi nossa inspiração', diz prefeito de Nova York a Lula
Sorridentes, o presidente brasileiro, Lula, e o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, trocaram abraços e camisas (do Corinthians e da cidade de NY) no começo da tarde de hoje. "Foi uma honra mostrar a ele como ele foi uma inspiração para muitos de nós para defender os trabalhadores, os que vivem em dificuldade. O senhor tem sido uma fonte de inspiração para todos nós", disse Mamdani a Lula.
Já o líder brasileiro disse muitas vezes que o prefeito é "muito jovem" e perguntou a ele qual seria o maior problema da cidade. "O custo de vida", respondeu Mamdani.
"Ele é muito jovem. E deve ter uma causa muito forte que o levou a ser prefeito. Ele não pode perder em nenhum momento o discurso que ele fez para ganhar as eleições. Nesse momento histórico, a minha luta é pra ver se a gente consegue dignificar a humanidade contra o desprezo e o esquecimento que as lideranças do mundo têm contra o povo pobre", disse Lula, diante da imprensa, que não foi autorizada a fazer perguntas após as declarações de ambos.
As declarações foram dadas no quintal da residência do representante do Brasil na ONU, no bairro de Upper East Side, depois de mais de uma hora de conversa. O assessor de Lula, Celso Amorim, afirmou que o tom da reunião foi como "uma conversa de pai para filho".
O prefeito de Nova York chegou às 11h38, de carro, acompanhado do vice-prefeito Dean Fuleihan e de uma série de assessores. O encontro havia sido pedido pelo democrata, um dos principais nomes nacionais do partido opositor a Trump nos EUA. Jovem e socialista, ele representa uma opção de renovação à esquerda na política do país, embora não possa ser candidato à presidência, por ter nascido em Uganda.
O presidente brasileiro teve uma agenda intensa na manhã de hoje em Nova York. Um pouco antes da chegada de Mamdani, Lula recebeu o presidente do Uruguai, Yamandu Orsi. "Quanta elegância", brincou Lula em pé, diante dos jornalistas, enquanto abraçava o colega e aliado de esquerda na região que tem visto vitórias eleitorais em série da direita em países como a Colômbia e o Peru. O encontro durou 50 minutos e nenhum dos líderes falou no fim da reunião, na residência do representante do Brasil nas Nações Unidas, o embaixador Sérgio Danese. Nas redes sociais, Lula disse que no encontro bilateral agradeceu a Orsi por ceder espaço na cota de carne uruguaia ao Brasil no acordo Mercosul-União Europeia e disse querer aprender com a experiência uruguaia em lidar com bets. O Uruguai bloqueia ativamente sites e aplicativos de apostas e o governo mantém um monopólio do mercado. Essa se tornou uma bandeira de Lula na campanha.
Antes disso, o presidente brasileiro deu uma entrevista de cerca de meia hora à jornalista americana Christiane Amanpour, da rede CNN Internacional. Do lado de fora, cerca de dez apoiadores com camisetas e bandeiras do PT gritavam "Bom dia, presidente Lula", em referência à frase dita diariamente por militantes petistas no acampamento em frente à carceragem da Polícia Federal, em Curitiba, onde Lula ficou mais de um ano preso pela condenação, depois anulada, da Operação Lava Jato.
Lula chegou a Nova York às 18h14 de domingo (20), no horário local.
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