Shein tem estreia sem brilho na bolsa de Hong Kong, investidores se preocupam com riscos regulatórios
HONG KONG, 1 Set (Reuters) - As ações da varejista online de fast-fashion Shein encerraram o dia estáveis em sua estreia na bolsa de Hong Kong nesta terça-feira, sem conseguir registrar o típico salto de valor do primeiro dia de negociações, em meio a preocupações com contratempos que minaram sua vantagem competitiva.
Conhecida mundialmente por vender blusas a US$5 e vestidos a US$10, a Shein foi afetada pelas mudanças nas tarifas e impostos nos Estados Unidos e na Europa, que contribuíram para uma queda drástica na avaliação da empresa.
Fundada na China em 2012 e com sede em Cingapura desde o final de 2021, a Shein passou anos promovendo suas credenciais como empresa global antes de voltar a abraçar suas raízes chinesas para abrir capital em Hong Kong.
Isso encerrou uma jornada de quatro anos em busca da abertura de capital, após não ter conseguido listar-se em Nova York e Londres. O intenso escrutínio de suas práticas comerciais também dificultou suas tentativas, que acabaram sendo bloqueadas pelas autoridades chinesas.
Suas ações fecharam a 48,50 dólares de Hong Kong, em comparação com o preço da oferta pública inicial de 48,56 dólares de Hong Kong, após se recuperarem de uma queda anterior de até 10%. Isso colocou a avaliação da empresa em cerca de US$26,3 bilhões, em comparação com seu pico de quase US$100 bilhões em 2022.
“Como uma nova empresa listada em Hong Kong, continuaremos a inovar, otimizar e cooperar com nossos parceiros da cadeia de suprimentos para benefício mútuo e resultados vantajosos para todos”, disse Leigh Gui, diretor financeiro da Shein, na cerimônia de abertura.
O fundador e presidente-executivo, Sky Xu, conhecido por não gostar dos holofotes, não discursou no evento, embora mais tarde tenha tirado fotos com funcionários da Shein no palco. Isso estava de acordo com sua personalidade reservada, mas foi incomum para o chefe de uma grande empresa em um evento público tão marcante.
Investidores e analistas têm se mostrado preocupados com o crescimento mais lento da Shein, os custos comerciais mais elevados e o escrutínio regulatório mais rigoroso.
“Acho que a estreia fraca mostra que, mesmo após a enorme reavaliação, os investidores ainda não veem a Shein como obviamente barata”, disse Charu Chanana, estrategista-chefe de investimentos da Saxo.
Ela disse que a Shein foi avaliada em 15 vezes os lucros futuros, mais do que o dobro do múltiplo da PDD , proprietária da rival Temu, o que significa que “os investidores estão sendo solicitados a pagar um prêmio, apesar da visibilidade de crescimento mais fraca e dos riscos regulatórios e comerciais significativos”.
A demanda pelas ações da Shein durante a oferta pública inicial (IPO) foi moderada em comparação com ofertas de grande destaque dos setores de inteligência artificial e robótica.
A parcela destinada ao varejo foi subscrita 5,63 vezes, enquanto a parcela internacional foi subscrita 2,59 vezes.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Tilt.