Acre chega a uma década sem raiva humana e ganha reforço de vacina na fronteira
O Ministério da Saúde divulga um balanço sobre o controle da raiva no país, com destaque para a atuação nas regiões de fronteira do Acre. O estado integra a lista de dez anos sem registro de casos de raiva humana transmitida pela variante canina, identificada pelas siglas AgV1 e AgV2.
Para reforçar a prevenção da doença na fronteira, a pasta abriu neste sábado (22) a Campanha de Vacinação Antirrábica Canina e Felina na Fronteira, com mobilização simultânea em municípios do Acre, de Rondônia e do Mato Grosso do Sul. A posição geográfica do Acre, com fronteiras para a Bolívia e o Peru, coloca o estado entre os pontos estratégicos da ação, que reúne representantes dos três países.
O Ministério da Saúde disponibilizou vacinas contra a raiva para cães e gatos, além de equipamentos usados na aplicação, como caixas térmicas, termômetros, cambões, cordas e focinheiras. Os itens têm como finalidade garantir a conservação das doses e a segurança de profissionais e animais durante o atendimento em território acreano. O apoio da pasta também alcança ações realizadas do lado boliviano e peruano da fronteira.
O diretor do Departamento de Doenças Transmissíveis (DEDT), Francisco Edilson Ferreira, avalia a iniciativa. “Essa ação fortalece a vigilância integrada da raiva e a vacinação de cães e gatos em regiões de fronteira, onde a circulação de pessoas e animais entre diferentes países exige ações coordenadas de prevenção e controle”, afirma.
Apesar da ausência de casos humanos ligados à variante canina há dez anos, o vírus da raiva permanece em circulação entre animais silvestres, com destaque para morcegos, primatas e raposas, espécies presentes na fauna acreana. Esse cenário mantém a necessidade de manter em dia a vacinação de cães e gatos, além da vigilância sobre animais com comportamento suspeito e da busca rápida por atendimento médico após qualquer situação de risco.
Entre 2016 e 2026, o país confirmou 37 casos de raiva humana, todos associados a variantes silvestres. Os morcegos estiveram envolvidos em 22 desses casos. Também houve registros ligados a primatas, em sete ocorrências, felinos infectados pela variante de morcego, em quatro casos, raposas, em dois casos, além de um caso de cão e um de bovino, ambos infectados pela variante de morcego.
A raiva é uma doença viral grave, com alta taxa de letalidade após o início dos sintomas. A orientação do Ministério da Saúde é a busca imediata por um serviço de saúde em caso de mordida, arranhão ou contato de risco com a saliva de mamíferos, mesmo quando o ferimento parece pequeno. Após avaliação, o profissional de saúde indica, quando necessário, a profilaxia antirrábica, que pode incluir vacina e soro ou imunoglobulina.
A pasta recomenda ainda que a população evite contato com morcegos e outros animais silvestres encontrados mortos ou com comportamento fora do padrão. O tratamento preventivo contra a raiva é oferecido de forma gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo nas unidades de saúde do Acre.
Jornalista e social media, com atuação em marketing, assessoria de comunicação política e institucional. Atualmente escreve para o ac24horas, fazendo cobertura regional do estado do Acre.
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