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Política

Lula é mais popular que Milei na Argentina, aponta pesquisa

Revista Fórum ·
Lula é mais popular que Milei na Argentina, aponta pesquisa

Lula supera Milei em aprovação popular entre argentinos, revela pesquisa

Levantamento recente realizado pela consultoria Analogías traz um resultado que contraria a narrativa de força do presidente argentino Javier Milei em seu próprio território. Conduzido entre 5 e 8 de setembro, o estudo nacional aponta que o mandatário brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva goza de muito maior prestígio junto à população argentina do que o próprio Milei, seu reconhecido rival político. Enquanto o presidente brasileiro registra expressiva aprovação de 58,5% entre os vizinhos ao sul, enfrentando rejeição de apenas 31,7%, o governante argentino encontra-se em posição oposta: vê sua imagem negativa chegar a 58,1%, com pouco mais de um terço da população (36,9%) o aprovando.

O contraste fica ainda mais pronunciado quando se considera o recorte por gênero. Mulheres argentinas reprovam Milei com ainda mais intensidade, atingindo taxa de rejeição de 63,5%, demonstrando resistência particularmente forte do segmento feminino às políticas do governo ultraliberal.

Essa dinâmica de prestígio reflete-se também nos alinhamentos geopolíticos preferidos pela população. Questionados sobre qual deveria ser o principal aliado estratégico da Argentina, 35% dos argentinos apontam o Brasil, deixando os Estados Unidos em segundo lugar, com apenas 23% das menções. Tal preferência contrasta com o posicionamento oficial de Milei, que mantém alinhamento automático com Washington, sinalizando desconexão entre as prioridades do governo e as aspirações da população.

O colapso econômico como raiz da impopularidade

A queda acentuada na popularidade de Milei encontra explicação direta nos resultados econômicos de seu governo. A pesquisa revela que aproximadamente 61% dos argentinos relatam que sua situação financeira pessoal e familiar deteriorou-se ao longo do último ano. O sentimento pessimista expande-se quando se observa as perspectivas futuras: o índice que mede as expectativas econômicas caiu para seu patamar mais baixo nos últimos vinte e quatro meses.

A pressão financeira reconfigurou completamente as prioridades da população argentina. Enquanto antes a inflação dominava as preocupações públicas, agora a escassez de renda ocupa o centro das inquietações. Quando perguntados sobre quais deveriam ser as prioridades governamentais, dois terços dos entrevistados (65,6%) defendem que o governo implemente programas direcionados à geração de "salários e emprego". Apenas 27,1% mantêm a posição de que o foco exclusivo deveria recair sobre a "estabilidade de preços".

O temor quanto ao mercado de trabalho permeia a consciência coletiva do país. Mais da metade da população (51,4%) expressa receio de desemprego, projetando deterioração das condições laborais nos meses vindouros. Esse medo corresponde a uma realidade de compressão salarial e dificuldades econômicas generalizadas que têm marcado o governo de Milei.

Reflexo dessa insatisfação estende-se também à instituição internacional que respalda as políticas de austeridade implementadas pelo governo argentino. O Fundo Monetário Internacional acumula 63,1% de imagem negativa entre os argentinos, indicando que a população responsabiliza a instituição e suas condicionalidades pela deterioração das condições de vida.

O paradoxo político: inspiração em Milei apesar dos resultados

Em movimento que ilustra as contradições políticas brasileiras, a coordenadora das políticas econômicas da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro manifestou, em segunda-feira (14 de setembro), pretensão de adotar como referência as estratégias implementadas por Milei. Daniella Marques, responsável pela formulação das diretrizes econômicas da candidatura do filho de Jair Bolsonaro, declarou durante evento da Esfera Brasil que o modelo mileneísta ofereceria lições valiosas.

Marques justificou a admiração pelo enfoque em "retomar a capacidade de realização de investimentos, redução de obstáculos regulatórios e desonerações tributárias", argumentos clássicos do receituário liberal-radical. Conforme sua declaração, a redução das taxas de juros dependeria de um banco central autônomo, cujas decisões estariam condicionadas a responsabilidade fiscal governamental. A coordenadora associou a disciplina nas contas públicas à capacidade de cuidar das pessoas, apresentando a austeridade como prerequisito para benefícios sociais como a diminuição dos juros.

Tal posicionamento contrasta dramaticamente com os dados que emergiram da pesquisa Analogías, que documentam o custo social das políticas econômicas mileneístas na Argentina, inclusive a preferência da população por priorizar emprego e renda em detrimento da estabilidade de preços que Marques e candidatos liberais brasileiros continuam advogando.

Contexto: o experimentalismo ultraliberal argentino e seus impactos

Para compreender plenamente o significado desses números, é importante contextualizar o ambiente político e econômico argentino. Javier Milei ascendeu à presidência em dezembro de 2023 com uma plataforma radicalmente liberal, prometendo reformas estruturais profundas na economia argentina, historicamente marcada por inflação crônica, endividamento externo recorrente e ciclos de instabilidade cambial.

A Argentina enfrentava, quando Milei assumiu, inflação anual acumulada de mais de 200%, desemprego significativo e deterioração generalizada do poder de compra. O governo argentino buscou, mediante políticas de austeridade severa, redução de gasto público e desvalorização cambial, restaurar a confiança de investidores internacionais e reequilibrar as contas externas.

Contudo, esses ajustes, ainda que possam gerar resultados macroeconômicos em médio prazo, impõem custos sociais imediatos sobre a população, particularmente os segmentos de menor renda. A redução do gasto em políticas sociais, a desvalorização da moeda (que aumenta os preços de bens importados) e a contenção salarial geram desemprego, queda do poder de compra e aumento da pobreza e da desigualdade em curto prazo.

No Brasil, candidatos alinhados com orientação econômica similar buscam capitalizar o respaldo de intelectuais e grupos empresariais liberais, ainda que pesquisas como a que emergiu da consultoria Analogías documentem que tais políticas, quando implementadas na Argentina vizinha, resultam em rejeição majoritária e insatisfação profunda, especialmente entre mulheres e grupos economicamente vulneráveis.

O que acompanhar

Os próximos passos envolvem questões relevantes tanto para a Argentina quanto para o Brasil. Na Argentina, permanece em aberto se o governo Milei conseguirá, nos meses e anos seguintes, gerar recuperação econômica capaz de reverter o desgaste político atual, ou se a insatisfação continuará aprofundando-se, abrindo espaço para realinhamentos políticos.

No Brasil, importa observar se a campanha de Flávio Bolsonaro mantém o posicionamento econômico inspirado em Milei e como a população brasileira, particularmente em contexto de debate eleitoral, responde a propostas de austeridade fiscal e orientação econômica ultraliberal, levando em conta o precedente argentino amplamente documentado em pesquisas de opinião pública.

Também merece acompanhamento a trajetória dos índices econômicos e de satisfação popular na Argentina, que indicarão se a estratégia de Milei produz, efetivamente, a recuperação econômica prometida, ou se aprofunda o hiato entre aspirações governamentais e realidades vividas pela população.

Principais pontos:

• Pesquisa mostra que Lula possui 58,5% de aprovação entre argentinos, enquanto Milei registra apenas 36,9%, com 58,1% de rejeição.

• Aproximadamente 61% dos argentinos relatam que sua situação econômica piorou no último ano, com expectativas econômicas em nível mais baixo em dois anos.

• Dois terços da população argentina priorizam políticas de "salários e emprego" em vez de "estabilidade de preços", refletindo mudança nas prioridades coletivas.

• Coordenadora de políticas econômicas de Flávio Bolsonaro declara pretensão de usar Milei como referência, apesar dos resultados negativos documentados pela pesquisa Analogías.

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Resumo reescrito automaticamente pelo 5News a partir da matéria original. A matéria completa, com todo o contexto, está em revistaforum.com.br — o conteúdo pertence a Revista Fórum.

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