‘Primetime’, com Robert Pattinson, é um olhar grotesco sobre a televisão moderna
A proposta de Primetime é fenomenal.
O novo thriller da A24 é baseado na história real de To Catch a Predator , programa de jornalismo investigativo do início dos anos 2000 da Dateline NBC que utilizava armadilhas para atrair possíveis pedófilos e desmascará-los diante das câmeras.
Mas tudo que importa, para o jornalista e líder do programa Chris Hansen (interpretado pelo brilhante Robert Pattinson , O Drama ), é merecer seu lugar no horário nobre da televisão.
Seu maior desejo é destronar a série que tem a atual maior audiência, Lost , da ABC.
Em busca de crescer mais e mais, a equipe do programa se envolve em uma operação secreta para encontrar um criminoso de grande porte — e que pode ter repercussões irremediáveis.
Em exibição na 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo , o primeiro longa-metragem de ficção de Lance Oppenheim — que também assina este ano o aguardado documentário sobre Elizabeth Holmes , You Can See Everything — tem uma direção ambiciosa.
Oppenheim constrói uma grande sátira da mídia moderna, movida por lucros e audiência, não importando o preço necessário a se pagar.
Embora o programa To Catch a Predator tivesse “boas intenções”, o foco aqui é em como ele propaga a banalidade do mal: é um espetáculo de punição pública, que transforma uma questão grave em entretenimento de massa.
Por trás das cortinas, os terríveis criminosos são vistos como meros peões para o sucesso.
Visualmente, Primetime é impecável.
As cores borradas se misturam como imagens em uma fita cassete, enquanto a edição e a trilha sonora excelentes transmitem a exata sensação de ansiedade proposta pela trama — amplificando o nojo que já surge naturalmente nos espectadores devido ao tema do longa.
Além de Pattinson , o elenco do filme conta com algumas performances incríveis: Merritt Wever ( Nurse Jackie ) como a produtora megera Andie , Skyler Gisondo ( Entrando Numa Grande Fria ) como Dan , um jovem inseguro que atua como isca do programa para crescer na carreira da atuação, e Matthew Maher ( Funny Pages ) como Xavier , que se passa por adolescentes em conversas online com possíveis abusadores. (As transcrições dessas conversas são proclamadas por Hansen quando ele encurrala os pedófilos).
A cantora Phoebe Bridgers (em seu primeiro papel no cinema), Anna Faris ( Todo Mundo em Pânico ) e Bokeem Woodbine ( Homem-Aranha: De Volta ao Lar ) também têm papéis coadjuvantes.
Além de te deixar à beira da poltrona do início ao fim da sessão no cinema, rodeado por dilemas morais crescentes, o longa ainda proporciona algumas boas risadas (de nervoso).
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em rollingstone.com.br — o conteúdo pertence a Rolling Stone Brasil.