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O que se sabe sobre a decisão da Rússia de assumir controle de ativos da Nestlé e da Auchan

Folha de S.Paulo ·
O que se sabe sobre a decisão da Rússia de assumir controle de ativos da Nestlé e da Auchan

A gigante suíça de alimentos Nestlé e a varejista francesa Auchan estão tentando reagir depois que o presidente russo, Vladimir Putin , colocou seus negócios no país sob administração temporária, medida que pode abrir caminho para a tomada dos ativos pelo Estado.

A decisão é o mais recente esforço da Rússia para ampliar o controle sobre empresas de propriedade estrangeira desde o início da guerra na Ucrânia , em 2022.

Segundo uma estimativa de 2025 do escritório de advocacia russo NSP, o Estado russo tomou mais de US$ 50 bilhões (R$ 256 bilhões) em propriedades privadas, incluindo ativos de empresas estrangeiras.

A Nestlé afirmou na sexta-feira (18) que tomará "todas as medidas necessárias" para proteger seus interesses. A Auchan não quis comentar.

A Nestlé está presente na Rússia desde os anos 1990 e opera seis fábricas que produzem itens como café, alimentos para animais de estimação e fórmulas infantis. A empresa afirma empregar cerca de 7.000 pessoas no país, que responde por aproximadamente 1% de suas vendas globais.

A Auchan entrou na Rússia em 2002 e continua sendo uma das maiores varejistas estrangeiras no país. No fim de 2025, empregava 24.236 pessoas e operava 229 lojas na Rússia, gerando 127 bilhões de rublos (R$ 7,7 bilhões) em vendas no primeiro semestre de 2026.

Diferentemente de muitas empresas ocidentais, a Auchan não deixou o mercado russo após a invasão de 2022.

O decreto nomeia a L.E.V. Management como administradora temporária dos ativos. A empresa, sediada em Moscou, foi registrada em 2024 e tem pouca presença pública.

O jornal Kommersant havia informado anteriormente que uma empresa chamada KS Logistika havia solicitado ao Kremlin que colocasse os ativos russos da Nestlé sob administração temporária.

Isso ainda não está claro, embora o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, tenha afirmado na sexta-feira (18) que as duas empresas estão sediadas em países "hostis" —sem citar Suíça ou França.

A Rússia tem feito críticas cada vez mais duras à posição da Suíça sobre a guerra na Ucrânia, depois que Berna adotou a maior parte das sanções da União Europeia contra Moscou.

O Kommersant havia informado anteriormente que a Nestlé estava na mira de Moscou por sua relutância em ampliar as operações na Rússia e retomar as exportações de produtos fabricados no país.

O decreto pode ter como objetivo pressionar a Nestlé a reinvestir na Rússia. Também pode ser um passo para forçar a empresa a deixar o país, obrigando-a a pagar um imposto de saída elevado e a vender o negócio com desconto a um comprador aprovado pelo Kremlin.

A Rússia criou esse mecanismo em 2023, por meio de um decreto presidencial que permite ao Estado colocar sob administração temporária ativos pertencentes a empresas de países considerados "hostis".

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.

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