Homem é condenado a quase 60 anos por morte de líder quilombola na Bahia
O homem acusado pelo assassinato da líder quilombola Tainara dos Santos foi condenado a 59 anos, 11 meses e 24 dias de prisão pelo Tribunal do Júri de Cachoeira, no Recôncavo Baiano.
O julgamento de George Anderson Santos da Silva, conhecido como “Dandan”, começou na quarta-feira, 19, e terminou na madrugada desta quinta-feira, 20.De acordo com o Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA), a condenação ocorreu por maioria dos votos dos jurados, que consideraram o réu culpado pelos crimes de feminicídio, ocultação de cadáver, ameaça, extorsão e porte ilegal de arma e munição.
A acusação foi sustentada pelos promotores de Justiça Audo Rodrigues e Luciano Assis.Além da pena de prisão, a Justiça estabeleceu o valor mínimo de R$ 300 mil para reparação dos danos sofridos pelas vítimas e seus sucessores.“Foi um alívio.
Claro, não vai trazer nossa irmã de volta, porém a Justiça foi feita e bem feita.
Esses anos todos (de pena) que ele vai pagar é um alívio para gente”, afirmou Denivaldo dos Santos, familiar de Tainara.Segundo o MPBA, os jurados reconheceram que o feminicídio foi cometido mediante recurso que dificultou a defesa da vítima.
Também foi considerado que a ameaça contra Tainara foi motivada por ciúme e pelo sentimento de posse do acusado em relação a ela.
“O resultado é fruto da demonstração de todas as provas e do que foi proposto pelo Ministério Público.
Não é um dia de comemoração, mas de mostrar à sociedade, mais uma vez, a necessidade de que temos de trazer a julgamento fatos tão insanos e tão covardes como esse, com reflexos que perduram no tempo.
A resposta da sociedade de Cachoeira foi dada e que isso sirva de exemplo a todos aqueles que a violência doméstica e familiar pode fazer parte do cotidiano”, afirmou o promotor Audo Rodrigues.
Para o promotor Luciano Assis, a decisão tem caráter pedagógico e reforça a necessidade de responsabilização em casos de violência contra a mulher.“Resultado do Júri atendeu ao interesse coletivo, com caráter pedagógico para projeção de comportamento, que revela cada vez mais a necessidade do MP e a sociedade continuarem a luta na busca pela responsabilização penal e a punição para este tipo de crime”, afirmou.
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Ela desapareceu em 9 de outubro de 2024.
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