Memphis renovou para ser herói, mas foi vilão no pesadelo do Corinthians
Memphis Depay teve o contrato renovado com o Corinthians para ser protagonista na busca pelo sonhado bicampeonato da Libertadores — título que o clube conquistou pela primeira e única vez há 14 anos.
Menos de um mês depois de renovar com o clube, porém, o atacante isolou o pênalti que confirmou a eliminação corintiana na competição e se tornou o principal personagem de uma das derrotas mais doloridas dos 116 anos do Timão.
A relação entre Memphis e Corinthians começou em setembro de 2024, quando o atacante chegou ao Brasil cercado de repercussão internacional e mobilização dos torcedores. Ele encontrou um time que lutava contra o rebaixamento e rapidamente passou a ser uma das referências de uma equipe que saiu de uma situação próxima à queda para conquistar uma vaga na Libertadores de 2025.
Memphis também marcou gols importantes durante aquela reação, como o primeiro pelo clube, de falta, contra o Athletico-PR. Na ocasião, o resultado tirou o Timão da zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro.
Depois, ao marcar duas vezes contra o Bahia, na Neo Química Arena, o atacante ajudou o Corinthians a encaminhar a classificação para a Libertadores do ano seguinte. A vaga parecia difícil de imaginar antes da chegada do holandês.
A participação naquela reação ajudou a criar a imagem de um jogador capaz de assumir a responsabilidade em momentos de pressão. Foi esse papel que voltou a ser atribuído a Memphis durante a renovação do contrato, que dividiu o clube.
O departamento de futebol e Fernando Diniz defenderam a permanência do atacante. A avaliação era de que Memphis seria importante na fase eliminatória da Libertadores, competição definida internamente como a prioridade da temporada.
A renovação, porém, encontrou resistência no Parque São Jorge. Dirigentes, integrantes de grupos políticos e até aliados do presidente Osmar Stabile questionaram o custo do acordo, enquanto o departamento de futebol continuava a defender a permanência do jogador.
A negociação envolveu salário, direitos de imagem, compromissos comerciais e a reorganização da dívida acumulada no contrato anterior. Depois de semanas de propostas, interrupções e divergências internas, Memphis aceitou reduzir parte dos valores, e o Corinthians concluiu a renovação, mesmo depois de o próprio presidente Osmar Stabile encerrar oficialmente as tratativas.
A Libertadores também era um dos principais argumentos para a permanência de Diniz, apesar dos resultados negativos no Campeonato Brasileiro. Depois do empate por 1 a 1 na Argentina, o treinador classificou o jogo de volta contra o Estudiantes como um dos mais importantes da história recente do Corinthians.
Memphis começou a decisão como principal referência do ataque, mas não conseguiu marcar. O Estudiantes abriu o placar aos 41 minutos do segundo tempo, quando Alexis Castro completou de voleio o cruzamento de Tomás Palacios.
O Corinthians teve sua última chance nos acréscimos. Após um toque de mão dentro da área e a revisão do lance pelo VAR, o árbitro marcou o pênalti que poderia empatar a partida.
Memphis assumiu a cobrança, mas mandou a bola por cima do gol de Muslera.
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