El Niño acende alerta para caixa de agroindústrias na safra 2026/27
O avanço do El Niño previsto para o segundo semestre de 2026 pode provocar impactos que vão além da produção agrícola e chegar ao caixa das agroindústrias durante a safra 2026/27.
Segundo análise da Multiplike, conglomerado financeiro especializado em crédito estruturado, um episódio de intensidade muito forte pode reduzir em até 10% a produção brasileira de grãos.
Como referência, a estimativa de cerca de 320 milhões de toneladas de soja e milho para a safra significa que uma redução de 10% corresponderia a aproximadamente 32 milhões de toneladas.
O número, porém, representa um cenário de risco, e não uma previsão de perdas.
Os efeitos do fenômeno também tendem a variar de acordo com a região.
Historicamente, o El Niño está associado à redução das chuvas em áreas do Norte e Nordeste e ao aumento das precipitações no Sul.
No centro-norte do país, a combinação de deficiência hídrica e temperaturas elevadas pode prejudicar o desenvolvimento das culturas.
No Sul, o excesso de chuva pode aumentar o risco de encharcamento do solo, doenças, dificuldades para a operação de máquinas e atrasos na colheita e no escoamento.
Para as agroindústrias, uma produção menor ou uma colheita atrasada pode alterar o volume e o momento de chegada da matéria-prima.
Isso pode exigir mudanças nas compras, nos estoques, nos contratos e nas entregas, além de pressionar a necessidade de capital de giro.
Continua após a publicidade “O choque começa na produção, mas não termina no campo.
Se uma agroindústria recebe menos matéria-prima, recebe mais tarde ou precisa buscar produto em outra região, isso muda o fluxo financeiro da operação”, diz Priscila de Freitas, diretora de crédito da Multiplike.
Segundo ela, o desafio é preservar caixa para lidar com essas mudanças sem comprometer fornecedores, estoques e compromissos já assumidos.
O risco climático chega ainda em um momento de maior pressão financeira sobre parte da cadeia do agronegócio.
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