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Saiba o que é a Lei de Reciprocidade, o "trunfo" que Lula cogita usar contra as tarifas de Trump

UOL Notícias ·
Saiba o que é a Lei de Reciprocidade, o "trunfo" que Lula cogita usar contra as tarifas de Trump

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou, nesta segunda-feira (21), a criticar a postura de Donald Trump e afirmou que o mandatário norte-americano "age como um imperador" ao impor regras a outras nações. Em entrevista à CNN, o chefe do Executivo brasileiro declarou que fará todos os esforços para negociar a redução do tarifaço contra produtos nacionais, mas avalia aplicar a Lei de Reciprocidade se os diálogos não avançarem.

O chefe de Estado brasileiro está nos Estados Unidos para participar da abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. Ao comentar a relação comercial, o dirigente lembrou que o Brasil registra déficit na balança com os norte-americanos e classificou as sobretaxas de até 37,5% impostas pelo governo de Trump como injustas.

A ofensiva tarifária inclui uma taxa de 25% ancorada na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA e uma alíquota adicional de 12,5%. A medida afeta setores como o do etanol e de maquinário agrícola, embora itens como carne bovina, café e celulose tenham entrado na lista de isenções.

O petista ressaltou que pretende buscar o entendimento por meio do diálogo antes de adotar retaliações diretas. "Eu não pretendo entrar em guerra tarifária nem com os EUA e nem com ninguém, eu quero negociar, eu sou de negociação, nasci na vida sindical aprendendo a negociar, então vou tentar todo esforço que tiver ao alcance de um ser humano para tentar negociar", declarou em entrevista à CNN.

Caso os entendimentos não avancem, o presidente citou a utilização do instrumento legislativo aprovado pelo Congresso Nacional. "Caso não seja possível porque os EUA não querem, a gente vai ter que tomar atitudes. Tem uma Lei de Reciprocidade aprovada por unanimidade no Congresso. Eu acho que tem produtos brasileiros que os EUA têm muito interesse. Eu acho que é isso que nós precisamos pensar, como é que a gente vai e quais os produtos a gente vai colocar na Lei de Reciprocidade para os EUA" , emendou.

Sobre as eleições no Brasil previstas para 4 de outubro, o candidato à reeleição afirmou estar preocupado com o pleito, mas demonstrou confiança na vitória e defendeu o sistema de urnas eletrônicas. Ele sustentou que investigados pela Justiça brasileira atuam no exterior. "Eu chamo de traidores da pátria. Ele [Eduardo Bolsonaro] é um dos traidores. Está insuflando os EUA contra o Brasil, isso que está acontecendo de concreto. Inclusive com dinheiro, que está vindo pra cá que, logo, vai ser desvendado esse mistério do dinheiro do filme do ex-presidente Bolsonaro", afirmou.

Ao citar a cinebiografia "Dark Horse", que é alvo de apurações sobre seu financiamento, o líder político declarou que os EUA não devem intervir nas eleições brasileiras. O mandatário demonstrou apreensão com a proximidade do Secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, com o bolsonarismo, classificando o cenário atual como suspeita.

Por fim, o governante classificou como "grave" a ação militar dos EUA que culminou na prisão de Nicolás Maduro em janeiro.

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