Tour de Cria: novo roteiro turístico mistura natureza, memória e cultura na periferia de Vitória
Uma caminhada por trilhas, mirantes e ruas históricas, conduzida por quem nasceu e cresceu na comunidade . Essa é a proposta do Tour de Cria , roteiro de turismo de base comunitária que convida moradores e visitantes a conhecerem os bairros Piedade e Fonte Grande, no Centro de Vitória , a partir das histórias de quem vive o território.
Idealizado pelo líder comunitário Emanuel Rodrigues e conduzido pelo guia local Matheus Nascimento Tolentino , o passeio nasceu após um curso de Turismo de Base Comunitária promovido pelo Grupo Árvore. A formação incentivou moradores a pesquisarem e compartilharem a memória da região, transformando conhecimento local em experiência turística.
"O nosso tour não é só uma caminhada. É um passeio cheio de histórias. Contamos como a comunidade foi formada, quem foram as pessoas importantes desse processo e como elas ajudaram a construir esse lugar", explica Matheus.
O passeio é realizado mediante agendamento e custa entre R$ 15 e R$ 25 por pessoa , de acordo com o tamanho do grupo.
Ao longo do percurso, os participantes conhecem personagens que marcaram a história da comunidade, como antigos construtores, parteiras, benzedeiras, além de relatos sobre negros, indígenas e famílias que ajudaram a formar a região.
Mas o roteiro também abre espaço para o imaginário popular. Entre uma parada e outra, surgem histórias transmitidas entre gerações, como a do Seu Queiroz , que, segundo a tradição oral, s e transformava em lobisomem nas noites de lua cheia , e a da Mulher da Lata , personagem ligada a uma antiga nascente que abastecia os moradores quando ainda não havia água encanada na comunidade.
Além das narrativas, o passeio percorre trilhas de mata fechada até o Parque da Fonte Grande , passando por mirantes e pelo Campo Benjamin Matias . Durante o trajeto, os participantes encontram árvores frutíferas e são convidados a experimentar frutas colhidas no caminho.
Hoje as crianças passam muito tempo dentro de casa. Aqui elas podem colocar o pé no chão, caminhar pela mata e criar memórias afetivas em contato com a natureza
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