Empresários recebem boleto DDA ‘falso’ sem serviço contratado ou prestado
O envio de cobranças não solicitadas contra empresas via Débito Direto Autorizado (DDA) voltou a gerar controvérsia entre gestores e donos de negócios.
A prática envolve a emissão de boletos bancários para CNPJs cadastrados no sistema financeiro, sem que qualquer serviço tenha sido contratado ou prestado.
Em posicionamentos públicos no Reclame Aqui , empresas como a “Speed Tecnet” e a “Moohtech Desenvolvimento de Softwares” afirmam que os documentos emitidos são “boletos proposta” de caráter facultativo , destinados apenas a quem tem interesse em contratar os serviços, sem gerar cobrança judicial ou negativação em caso de não pagamento.
A queixa ganhou tração após empresários relatarem que a sistemática se aproveita de falhas na rotina administrativa de companhias para faturar com pagamentos feitos por engano.
“Ter empresa no Brasil é estar sujeito a tentativa de golpe o tempo todo.
Este aqui é clássico: a empresa golpista emite boletos aleatórios para empresas que aparecem em DDA”, escreveu o especialista em dados Franklin Weise no X (antigo Twitter ), ao divulgar uma cobrança de R$ 794,60 emitida pela Speed Tecnet com vencimento para 7 de outubro.
Esquema usa dados públicos e atinge rotina financeira das empresas A modalidade se vale do acesso livre a bases públicas da Receita Federal, onde informações como CNPJ, razão social e endereço das empresas ficam expostas.
Com esses dados, os emissores registram cobranças no sistema bancário atreladas ao documento do destinatário.
Como o Débito Direto Autorizado varre automaticamente a rede em busca de títulos emitidos contra o CNPJ da empresa, o valor surge no aplicativo bancário com aparência de conta legítima e aposta no pagamento apressado do setor financeiro corporativo.
A estratégia varia desde cobranças de médio valor até quantias irrisórias para evitar desconfianças na rotina de caixa.
Em resposta publicada após o questionamento de um cliente sobre um boleto de R$ 6,99 no DDA, a Moohtech alegou que a cobrança se referia ao lote de ativação de um produto e que “devido a uma atualização automatizada em nosso sistema de faturamento, a emissão do lote ocorreu antes do envio do seu convite oficial por e-mail”.
A empresa sustentou ainda que, caso não haja interesse, “basta desconsiderar o boleto no aplicativo do seu banco” e ressaltou que a cobrança não gera multa ou protesto.
A agilidade na captura dos dados faz com que novos negócios virem alvo quase imediatamente após a constituição formal, de acordo com o analista de sistemas Rodrigo, que recebe de duas a três cobranças desse tipo ao ano.
A constante troca de registros empresariais e a pulverização dos valores dificultam a contenção do problema pelas vítimas.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.tecmundo.com.br — o conteúdo pertence a TecMundo.