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Política

América Latina não tem dono

Revista Fórum ·
América Latina não tem dono

Donald Trump levou à Assembleia Geral da ONU não apenas uma frase que resume sua política externa, mas uma ameaça dirigida a toda a América Latina.

Depois de admitir que a intervenção dos Estados Unidos na Venezuela teve como objetivo o controle do petróleo, proclamou: “Ao vencedor, os espólios”.

Em seguida, advertiu que Washington poderá usar seu “poderio militar inigualável” para assegurar os interesses nacionais dos Estados Unidos em qualquer parte do Hemisfério Ocidental.

A frase transforma em ameaça explícita o projeto de Trump e Marco Rubio: restaurar pela força a hegemonia de Washington, conter a China e converter petróleo, minerais críticos, terras raras, dados e infraestrutura digital da América Latina em ativos estratégicos norte-americanos.

Minutos antes, no mesmo plenário, Luiz Inácio Lula da Silva havia apresentado a resposta do Brasil: “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”.

E acrescentou: “Nossas riquezas naturais não são despojos.

Nossas instituições não são tuteláveis.

Nossa democracia não se curva a pressões externas”.

A doze dias da eleição presidencial, o confronto entre os dois discursos transformou a tribuna da ONU em uma antecipação da disputa brasileira.

A eleição de 4 de outubro decidirá muito mais do que o nome do próximo presidente.

Decidirá se o Brasil continuará buscando autonomia ou aceitará entrar no quintal de uma potência que já admite recorrer à força militar para garantir seus interesses.

A disputa já chegou ao Brasil O governo Lula e setores progressistas tratam como real o risco de ingerência externa no processo eleitoral.

Informações atribuídas à Agência Brasileira de Inteligência e denúncias encaminhadas à ONU apontam movimentos destinados a favorecer a candidatura de Flávio Bolsonaro, escolhido há muito tempo pela extrema direita trumpista.

Na ONU, Lula advertiu que “os inimigos da democracia atuam de dentro e de fora” e que “forças extremistas continuam ativas”.

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