STF deve confirmar compromisso com a própria credibilidade
A sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) desta terça-feira (15) será institucionalmente sem precedentes, ao decidir o futuro do ministro Alexandre de Moraes. Não meramente pelo clamor popular, mas sobretudo pela noção compartilhada de que existe o certo a ser feito, com uma decisão que comprovaria a isonomia da Justiça, algo tão relevante nestes tempos em que a própria legitimidade do STF tem sido posta à prova.
Ora, se há suspeitas sobre o comportamento de um ministro, uma investigação não pode ser tratada com tantos dedos: é o mínimo que se espera. E a sessão desta terça não é um julgamento, mas a primeira etapa de um processo ao qual devem estar sujeitos todos os cidadãos sob suspeição.
Os ministros vão decidir se um de seus pares deve ser investigado. Se assim optarem, ele será amparado pela ampla defesa a que todos têm direito. O Judiciário deve ser o exemplo, só assim não terá sua credibilidade arranhada.
Com reputação não se joga, e a definição desta terça será crucial para a manutenção da confiança da sociedade na mais alta instância da Justiça brasileira. É muita coisa em jogo, para além do ativismo político atribuído aos ministros, o que já se configura um problema para a atuação isenta.
Em pleno período eleitoral, os riscos da dúvida se acentuam. O cidadão não pode participar desse processo imerso em desconfiança, por isso os ministros devem ter em mente que existe racionalidade e bom senso a serem perseguidos neste momento. Investigar não é condenar por antecipçação, é buscar os fatos e, a partir deles, julgar.
O que se pede neste momento é esclarecimento, transparência, tudo aquilo que a Justiça deve sempre entregar. O que não se quer é mais corporativismo. O povo não pode sair perdendo, ao seguir desconfiando da instituição que mais depende da própria credibilidade. A responsabilidade pelo futuro do STF está nas mãos de cada ministro.
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