O que está em jogo para Mato Grosso do Sul no segundo turno presidencial
O esforço da direita sul-mato-grossense para ampliar de 58,6% para 70% a votação de Flávio Bolsonaro em Mato Grosso do Sul tem uma meta não declarada nos acordos, mas prevista como um dos principais itens em caso de vitória do candidato do PL: um butim com dezenas de cargos federais que o grupo dominante espera ocupar com indicações próprias e “de porteira fechada”, ampliando para um patamar inédito o poder conquistado no primeiro turno.
Por conta do que está em jogo, na quarta-feira (14), ao pedir o empenho dos prefeitos, em Campo Grande, o líder do grupo, senador eleito Reinaldo Azambuja (PSDB), chegou a flertar com uma possível irregularidade eleitoral ao oferecer, como prêmio aos prefeitos que derem mais votos ao candidato do PL, os maiores nacos de emendas parlamentares federais.
“Eu, Contar (senador eleito Renan Contar) e a Tereza (senadora Tereza Cristina) fizemos um compromisso.
Os municípios onde o Flávio tiver a maior votação, nós vamos premiar com as emendas.
Está por conta de vocês.
O valor que for”, prometeu Reinaldo, eleito no dia 4 com a maior votação da história das eleições para o Senado no Estado, com 903.554 votos.
Com a supercoligação de 9 partidos, o chefe do PL se consolida como eminência parda do poder estadual e amplia seu prestígio como articulador da bancada sul-mato-grossense no Senado e entre os deputados federais, onde apenas uma parlamentar, Camila Jara (PT), escapa de seu radar.
Cargos em disputa - A ofensiva para ampliar a votação de Flávio envolve a capacidade de transformar a força eleitoral em influência sobre a estrutura federal que administra recursos, executa políticas públicas e decide prioridades para o Estado.
Caso Lula (PT) vença, o comando dessa estrutura iria para o candidato derrotado por Eduardo Riedel (PSDB), o advogado Fábio Trad (PT), nova liderança do PT no Estado.
Segundo fontes do partido, o controle sobre a máquina federal daria musculatura para uma oposição mais consistente ao grupo que, com a vitória de 4 de outubro, já acumula 16 anos ininterruptos de poder em Mato Grosso do Sul.
O que está em jogo nesse segundo turno são cargos importantes, como as superintendências da Sudeco (Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste) e do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), ligadas a grandes projetos em curso, como a Rota Bioceânica.
Nessa estrutura, ganha importância a direção regional da Embratur (Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo), ocupada por Trad até o início da campanha.
Também estão na disputa representações de órgãos federais responsáveis pelas políticas agropecuária, fundiária, indigenista, ambiental e mineral, em uma rede de interesses ligada à posição estratégica do Estado para as exportações brasileiras.
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