Grávida descobre bebê vivo um mês após curetagem por diagnóstico errado em SP
Uma mulher moradora de Sumaré, no interior de São Paulo, descobriu no mês de agosto que continuava grávida após ter sido submetida a uma curetagem uterina motivada por um diagnóstico equivocado de aborto espontâneo . As informações são do g1.
A paciente, que preferiu não ter a identidade divulgada, relata que a equipe médica do Hospital Estadual de Sumaré atestou a perda fetal sem a realização prévia de ultrassonografia. Ela afirma que o procedimento cirúrgico perfurou a bolsa amniótica, esvaziou o líquido e colocou sua vida e a do bebê em risco.
A gestação transcorria sem complicações até o mês de julho. Em junho, um exame realizado no Hospital Municipal de Paulínia havia indicado desenvolvimento normal, com embrião de seis semanas e cinco dias.
A moradora procurou a unidade hospitalar de Sumaré no dia 12 de julho após apresentar sangramento sem dor. Na ocasião, uma médica realizou apenas exame físico de toque e declarou o aborto, encaminhando a mulher para a intervenção no mesmo dia.
A confirmação de que o feto permanecia vivo ocorreu semanas depois, quando a gestante precisou realizar um teste de sangue para aplicar um anticoncepcional injetável.
Após o resultado positivo, uma ultrassonografia de urgência detectou peso estimado de 170 gramas e batimentos cardíacos fetais em 157 por minuto, além da ausência total de líquido amniótico.
"Você pensar que perdeu um bebê e saber que o bebê ainda está dentro de você. [...] Isso não tem explicação", desabafa a denunciante, que preferiu não ser identificada.
Diante do quadro, a paciente afirma ter ouvido de profissionais do hospital que a curetagem pode ter provocado a perda do líquido.
"Me falaram, me pediu perdão, mas eu acho que perdão e desculpa não vai mudar o cenário que eu estou vivendo hoje. [...] Foi sugerido pra mim de eu poder interromper a gestação por falta desse líquido", diz.
Mesmo alertada sobre os riscos para a saúde materna e a inviabilidade da gestação, a mulher optou por prosseguir com a gravidez.
"Tô vivendo uma situação muito difícil e eu não quero tirar a vida do meu bebê. Enquanto há vida, há esperança, eu vou ter essa gestação até quando Deus permitir viver", conclui.
Em nota, o Hospital Estadual de Sumaré lamentou o ocorrido e informou a abertura de uma sindicância para apurar a conduta da equipe de atendimento. A instituição declarou ter acolhido a paciente com os esclarecimentos necessários e reafirmou o compromisso com a assistência segura.
"O Hospital Estadual de Sumaré (HES) lamenta o ocorrido e informa que abriu uma sindicância para apurar a conduta da equipe relacionada ao atendimento prestado à paciente. Se constatadas irregularidades, medidas cabíveis serão adotadas.
O HES reforça que acolheu a paciente e seus familiares, prestando todo o apoio e os esclarecimentos necessários.
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