Nenhuma mulher a menos
Duas mulheres foram assassinadas dentro de uma instituição pública de ensino no Rio de Janeiro.
Allane de Souza Pedrotti Matos, diretora da equipe pedagógica do Cefet-RJ, e Layse Costa Pinheiro, psicóloga da instituição, foram mortas a tiros por um colega.
O episódio expôs uma dimensão brutal do machismo: a violência contra mulheres que ocupam lugares de autoridade, comando e decisão.
Segundo relatos divulgados à época, o autor demonstrava incômodo com o fato de ter mulheres como superiores.
Não é possível olhar para uma história como essa e dizer que se trata apenas de uma tragédia individual.
O feminicídio e a violência contra as mulheres são parte de uma estrutura que precisa ser enfrentada de frente, sem eufemismos e sem silêncio.
E o enfrentamento à misoginia, o ódio, o desprezo e a discriminação contra mulheres, precisa estar no centro dessa agenda.
No Brasil, são pelo menos quatro mulheres assassinadas por dia em crimes classificados como feminicídio.
Em 2024, foram registrados 1.492 casos.
Mas o feminicídio é apenas a ponta mais visível de um iceberg muito maior.
Antes da morte, muitas vezes existe controle, ameaça, humilhação, assédio, perseguição, violência psicológica, agressão física e isolamento.
Existe uma sucessão de sinais que muitas vezes não são percebidos, ou são percebidos tarde demais, pelo Estado.
Quem de nós nunca caminhou com a chave apertada entre os dedos, acelerando o passo para chegar em casa? Quem nunca foi assediada no transporte público, no trabalho ou na rua? Quem nunca sentiu medo de dizer não? Quem nunca ouviu que estava exagerando? Eu percorri municípios do estado do Rio de Janeiro em uma caravana, visitei equipamentos de proteção e ouvi mulheres.
Vi de perto que combater o feminicídio significa combater também as ausências do Estado.
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