Montanha ligada a desaparecidos no Tibete é sagrada e não pode ser escalada
Ao menos 160 pessoas morreram e centenas desapareceram após enchentes atingirem a fronteira entre Nepal e Tibete hoje (26), região que serve de rota para o Monte Kailash, montanha sagrada que peregrinos contornam, mas não podem escalar.
Por ora, há 484 desaparecidos contabilizados no Nepal, dos quais 391 são estrangeiros e 93 são nepaleses. No lado chinês, a emissora estatal CCTV informou que três pessoas morreram e 265 estavam desaparecidas no condado de Gyirong, na Região Autônoma do Tibete.
A força da água destruiu estradas, pontes e comunidades. Imagens registradas por drones mostraram edifícios cobertos de lama, veículos soterrados e destroços presos em árvores e fios. Autoridades nepalesas informaram que ao menos 19 pontes e quase 40 quilômetros de estradas foram levados.
Especialistas do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas, o ICIMOD, apontaram uma avalanche de gelo e rochas como a causa mais provável da inundação. As observações hidrológicas indicaram que o nível do rio Trishuli subiu até nove metros em cerca de meia hora em determinado ponto.
A hipótese inicial é que o material desprendido de uma geleira tenha bloqueado temporariamente um curso d'água. O rompimento dessa barreira natural teria liberado uma grande quantidade de água, gelo, pedras e sedimentos vale abaixo. A causa definitiva, porém, ainda estava sob investigação.
Entre os desaparecidos estavam centenas de estrangeiros. De acordo com o Conselho de Turismo do Nepal, 133 indianos seguiam em peregrinação ao Monte Kailash, localizado no Tibete e considerado um dos lugares mais sagrados do continente asiático.
Também havia desaparecidos dos Estados Unidos, Austrália, Reino Unido e Canadá em rota para a montanha sagrada. Ao menos 62 nepaleses estavam na região do lago Gosaikunda, onde centenas de pessoas participavam de uma peregrinação relacionada ao festival Janai Purnima.
Embora a temporada de monções não seja a mais indicada para as trilhas tradicionais do Nepal, o período coincide com uma importante época de peregrinação a Kailash. Uma das rotas utilizadas por viajantes passa pelo distrito nepalês de Rasuwa e pelo posto fronteiriço de Gyirong.
A tragédia ocorreu em uma região utilizada como corredor de viagem entre o Nepal e o Tibete, interrompendo o acesso ao destino religioso.
O Monte Kailash fica no condado de Burang, na prefeitura de Ngari, oeste da Região Autônoma do Tibete. A área está próxima das fronteiras chinesas com a Índia e o Nepal. Segundo a Unesco, o pico alcança aproximadamente 6.638 metros de altitude. Ele integra as montanhas Gangdisê, uma cadeia paralela ao Himalaia.
A montanha tem aparência piramidal e quatro faces relativamente simétricas. A forma, porém, é resultado de processos geológicos naturais, como o choque entre as placas Indiana e Eurasiática, o soerguimento provocado pela Falha de Karakorum e a erosão causada por antigas geleiras.
Ao redor do monte existem vales glaciais, morenas, ravinas, pastagens alpinas e áreas úmidas de elevada altitude. Próximos dali ficam os lagos Manasarovar e Lhanag-tso, também conhecido como Rakshastal.
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