Bilenky: Datafolha capta mudanças em posições de Flávio Bolsonaro
Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× O Datafolha mais recente captou uma mudança na postura de Flávio Bolsonaro na campanha do segundo turno, com o candidato passando a se explicar mais depois de ter adotado um tom de quem já governava, diz Thais Bilenky no A Hora , do Canal UOL .
A pesquisa mostrou oscilação de dois pontos de Flávio nos votos totais, de 49% para 47%, enquanto Lula ficou em 45%. Segundo análise, a perda não migrou diretamente para o adversário: foi para branco/nulo e indecisos.
O campo dessa pesquisa terminou no dia 14. Foi feito todo ele na tarde de quarta-feira, antes da aprovação do fim da escala do 6x1, antes também da aprovação na Câmara do Pix pros MEI. Este campo pegou as ruas de domingo na Paulista e segunda em Copacabana, sem falar as manifestações em outros lugares, que juntou uma multidão de pessoas contra o Flávio Bolsonaro. O Datafolha está captando essa reação da semana passada pra cá e está captando também uma mudança na posição do Flávio Bolsonaro, que vinha assertivamente já governando antes de ganhar a eleição e agora passou a se explicar. Thais Bilenky
Bilenky avalia que o levantamento reflete tanto a mobilização de rua contra Flávio quanto uma virada na condução do debate, com o candidato deixando de ditar a pauta sozinho e respondendo mais a temas que ganharam tração na semana. Ela cita como exemplo a discussão sobre o fim da escala 6x1, em que Flávio já havia sinalizado que votaria a favor e, depois, condicionou mudanças ao resultado da eleição.
Isso muda também a forma como ele é percebido pelo eleitor, que vê ele não mais sob controle tanto da pauta, do debate, quanto sob controle da história da eleição. Thais Bilenky
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Para José Roberto de Toledo, o movimento aparece também no destino desses votos: em vez de irem para Lula, parte dos eleitores que haviam entrado na 'onda' de Flávio recuou para indecisão e para branco/nulo, o que pode alterar o cenário em uma disputa apertada.
Os dois lembram que, por estar dentro da margem de erro, a oscilação isolada poderia ser estatística. Mas Toledo afirma que outras pesquisas divulgadas na semana apontaram um quadro semelhante, de redução da diferença.
A onda parou e começou a refluir, que nem uma onda mesmo: ela vai pra praia e volta. Só que ela não foi para o Lula, ela foi para branco e nulo e para indeciso. José Roberto de Toledo
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