Mais uma safra recorde em 2027 e nova queda de alimentos básicos
A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP
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O Brasil pode voltar a produzir mais uma safra recorde de grãos em 2026/27, mantendo um constante crescimento do potencial produtivo, o que vem ocorrendo ano a ano. Mais uma vez, porém, os alimentos básicos perdem espaço, e a soja ganha.
Em um período em que o clima, devido ao fenômeno El Niño , já é uma ameaça à produtividade, a redução de área de produtos do dia a dia da alimentação do consumidor significa menor oferta e maior custo, principalmente para os de menor renda.
A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) estima uma produção de 377 milhões de toneladas de grãos nesta safra, que começa a ser semeada agora. A estimativa não é garantia de produção. Chuvas acima do normal em algumas regiões e inconstância dela em outras, por causa do El Niño, devem afetar o calendário de plantio e de colheita no país. O atraso na soja, o maior volume da produção brasileira, atrasa o ciclo do milho, o segundo maior.
Um dos principais cereais do consumo interno, o arroz, volta a ter queda na produção. Serão 10,8 milhões de toneladas, abaixo dos 11,1 milhões de 2026. O clima vai ser determinante para essa produção, uma vez que o Rio Grande do Sul, responsável por 70% da oferta nacional de arroz, pode ser um dos estados mais afetados.
Na safra de 2025, o Brasil obteve 12,8 milhões de toneladas, uma oferta superior ao consumo. Os preços caíram e só voltaram a reagir neste início de semestre. Os estoques finais da safra 2027 vão recuar para 1,4 milhão de toneladas, bem abaixo dos 2,2 milhões de 2025. Estoques menores e insumos com custos maiores para os produtores vão gerar uma pressão nos preços.
O feijão também não vem com preços competitivos para os produtores, e a área a ser semeada não cresce, mas a produção cai devido à menor produtividade. A safra 2026/27 inicia com estoques de apenas 98 mil toneladas, bem abaixo da média anual de 320 mil dos três anos imediatamente anteriores.
Já a produção de milho volta a atingir recorde, chegando a 148 milhões de toneladas em 2027. A demanda interna, no entanto, vem com crescimento constante. No próximo ano, deverá superar, pela primeira vez, 100 milhões de toneladas, bem acima dos 79 milhões de há cinco anos.
Além de uma demanda maior para o etanol , a Conab prevê novo aumento na produção das carnes de frango, bovina e suína, setor que demanda muito milho na composição das rações. O volume dessas três proteínas poderá chegar ao recorde de 34,3 milhões de toneladas. Na avaliação da Conab, a carne bovina perde competitividade no mercado interno, uma vez que a disponibilidade média per capita será de 31,9 kg, 8% a menos do que o previsto para 2026.
Com uma oferta menor de gado para abate, a produção de carne bovina recua para 11,4 milhões de toneladas no próximo ano.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.