O plano da Venezuela para recuperar US$ 4 bilhões em ouro preso no Banco da Inglaterra
Depois de anos dividindo o poder, a oposição venezuelana e o governo interino de Delcy Rodríguez encontraram um raro ponto de convergência: recuperar US$ 4 bilhões em ouro que estão armazenados nos cofres do Banco da Inglaterra.
A iniciativa ganhou força após negociações apoiadas pelos Estados Unidos e foi incluída em um acordo divulgado nesta semana entre representantes do governo e setores da oposição.
A intenção é utilizar as reservas na reconstrução da Venezuela depois dos terremotos que atingiram o país em junho e deixaram mais de 6 mil mortos.
O montante corresponde a cerca de 31 toneladas de ouro.
As reservas estão bloqueadas em Londres há anos por causa de uma disputa sobre quem tem autoridade para movimentá-las.
O problema remonta à crise política venezuelana e à decisão do Reino Unido de reconhecer Juan Guaidó, e não Nicolás Maduro, como presidente legítimo do país.
Continua após a publicidade A disputa transformou o ouro venezuelano em um dos ativos mais disputados da crise política do país.
Uma disputa que começou com Maduro e Guaidó O Banco da Inglaterra passou a se recusar a liberar o ouro depois que dois grupos rivais passaram a reivindicar o controle do Banco Central da Venezuela.
Continua após a publicidade De um lado estava o governo de Maduro.
Do outro, uma diretoria indicada por Guaidó, que em 2019 se declarou presidente interino e recebeu o reconhecimento de países como Reino Unido e Estados Unidos.
A Justiça britânica passou anos tentando determinar quem poderia dar instruções ao Banco da Inglaterra.
Em documentos judiciais, o tribunal britânico descreveu a disputa como uma questão sobre o controle de aproximadamente metade das reservas de ouro venezuelanas, então avaliadas em cerca de US$ 1,95 bilhão.
A posição britânica era especialmente relevante porque Londres havia reconhecido Guaidó como presidente da Venezuela.
Em 2021, o governo britânico argumentou perante a Suprema Corte que essa decisão conferia à diretoria indicada pela oposição autoridade para representar o Banco Central venezuelano.
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