Fim da escala 6x1: quais ações da bolsa podem ganhar ou perder com a mudança?
O fim da escala de trabalho 6x1, aprovado ontem (14) no Senado, pode afetar algumas ações de empresas negociadas na bolsa brasileira, a B3, já que impacta os resultados, tanto positiva quanto negativamente.
Varejistas, supermercados e redes de farmácias estão entre as companhias mais expostas ao aumento dos custos trabalhistas, enquanto negócios ligados ao lazer e ao turismo podem se beneficiar de consumidores com mais tempo livre.
A proposta de emenda à Constituição (PEC) 221/2019 prevê a redução da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, com dois dias de descanso e sem redução salarial.
A mudança seria gradual, com uma primeira redução para 42 horas e, posteriormente, para 40 horas.
Como os salários seriam mantidos, o custo por hora trabalhada aumentaria cerca de 10% para empresas com funcionários que atualmente cumprem 44 horas semanais.
Isso, porém, não significa um aumento equivalente nas despesas totais das companhias.
Segundo Bruno Guimarães, planejador financeiro pela Planejar, o impacto dependerá principalmente do peso da folha de pagamento sobre a receita, da necessidade de manter estabelecimentos funcionando durante toda a semana e da capacidade de absorver os custos adicionais.
Um estudo do BTG Pactual, citado por ele, estima que a redução da jornada pode provocar uma queda de aproximadamente 9,5% no resultado operacional das empresas de varejo, antes de medidas para compensar os custos.
O impacto estimado chega a 13,6% nas farmácias, 8,8% no varejo de vestuário, 8,6% no alimentar e 7,6% no comércio eletrônico.
Alexandre Pletes, chefe de renda variável da Faz Capital, cita entre as companhias expostas Assaí (ASAI3), Grupo Mateus (GMAT3), Lojas Renner (LREN3), C&A (CEAB3) e Grupo SBF, dono da Centauro (SBFG3).
O especialista explica que essas empresas dependem de funcionários para manter suas lojas em funcionamento, o que pode exigir contratações adicionais e pressionar as margens de lucro.
A diferença ocorre porque despesas como juros sobre dívidas continuam existindo mesmo quando o resultado operacional diminui, explica Guimarães.
Quem pode ganhar? O aumento do tempo livre dos trabalhadores também pode criar oportunidades para empresas ligadas ao lazer, turismo, entretenimento e administração de shopping centers, como CVC (CVCB3), Multiplan (MULT3), Allos (ALOS3) e Iguatemi (IGTI11).
Segundo Guimarães, administradoras de shoppings podem estar relativamente mais protegidas porque recebem principalmente receitas de aluguel e têm estruturas próprias de pessoal menores do que as operações das lojas.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em valorinveste.globo.com — o conteúdo pertence a Valor Investe.