Amyr Klink ganha filme e explica por que não quis ajudar a filha Tamara a virar navegadora: 'História se constrói, não se herda'
Os remos que cobrem toda a parede da sala de estar não deixam Amyr Klink esquecer de sua trajetória recordista nos mares. Mas agora ele também terá um filme para se lembrar de quando entrou no Livro Guinness dos Recordes ao cruzar a remo o Oceano Atlântico , da Namíbia, na África , até o Brasil , em Salvador .
Com direção de Carlos Saldanha, de A Era do Gelo e Rio , 100 Dias estreia nos cinemas em 29 de outubro. Filipe Bragança, que viveu Sidney Magal na cinebiografia Meu Sangue Ferve por Você , interpreta Klink.
Em entrevista à BBC News Brasil por videoconferência, Klink, de 71 anos, relembrou a travessia e debateu as vantagens e os desafios de navegar em tempos de tanta tecnologia e, ao mesmo tempo, de um clima cada vez mais instável e perigoso.
O navegador, que hoje viaja pelo país dando palestras e administra uma marina em Paraty (RJ), falou ainda da relação com uma de suas filhas, Tamara Klink, de 29 anos, e contou por que decidiu não apoiá-la em sua trajetória no mar.
"Ajudei ela com zero centavos, com pouquíssima informação, para que ela entendesse que precisava fazer a história dela, não herdar a história do pai", disse.
"As tecnologias que eu tinha eram muito precárias, e hoje os recursos são espetaculares. É outro universo. Ela tinha que aproveitar esses recursos."
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Amyr Klink — Assisti. Fiquei impressionado com o preciosismo do diretor Carlos Saldanha em reproduzir detalhes da viagem que talvez eu não tenha reproduzido no meu livro.
BBC News Brasil — É, de certa forma, um filme sobre solidão e resiliência. O que acontece quando se fica tanto tempo sem ninguém por perto?
Klink — É uma delícia. Eu tinha uma vida muito complicada e mergulhei no projeto. Eram tantas as encrencas, que a travessia foi a parte mais fácil. A solidão ensina que a gente pode fazer mais com menos, a valorizar as pessoas invisíveis que fazem parte da nossa vida. Foi uma baita escola, importante para as dezenas de viagens que eu faria nos anos seguintes.
BBC News Brasil — Hoje se fala muito de saúde mental, diferentemente daquela época, né?
Klink — Não se falava. Mas a maior pressão não foi a viagem. Foi a preparação, as dificuldades burocráticas, porque a Namíbia ainda vivia sob o regime do apartheid , era ocupada pela África do Sul . Tive tantas dificuldades, que remar foi a parte mais fácil.
Klink — Um filme sobre um livro é sempre um recorte. Eles foram muito felizes em escolher um recorte emocionante. Tem cenas que eu até tentei descrever no livro, mas Saldanha conseguiu trazer para as telas de maneira magnífica.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.bbc.com — o conteúdo pertence a BBC News Brasil.