Investigado por elo com PCC, Milton Leite depõe à Polícia
O ex-vereador Milton Leite prestou depoimento à polícia hoje na Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Mogi das Cruzes. A informação foi confirmada ao UOL pela defesa do político.
Segundo o advogado Aloisio Lacerda Medeiros, ele "respondeu a todas as perguntas, refutou integralmente as acusações e esclareceu os fatos, reafirmando sua absoluta inocência. Confia na Justiça e no prosseguimento das investigações para o pleno esclarecimento dos fatos".
Em um dos diálogos, um homem apontado como integrante da organização menciona o ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo. Ele diz para outro suposto membro da facção que havia falado para um advogado identificado como Milton Milreu que seria necessário "envolver o Milton Leite para resolver a questão".
Em outro trecho, o homem fala em extrema preocupação em dar ciência a Milton Leite dos fatos envolvendo a UpBus . Milton é apontado pelo MP-SP como o possível articulador político das decisões estratégicas sobre o setor de transporte público de São Paulo — inclusive as empresas investigadas. Para os investigadores, a conversa pode estar relacionada à substituição da UPBus por outra empresa.
A polícia também narrou que declarações de policiais militares corroboram que Leite seria dono da empresa Transwolff, que está no centro da investigação. A empresa em questão seria uma das 12 controladas pelo PCC em São Paulo.O UOL revelou em 2024 elo de Milton Leite com a Transwolff .
Com a análise desses dispositivos que foram aprendidos ao longo de 2024, 2025, hoje nós identificamos aí uma possível infiltração, se é que a gente pode dizer assim, do crime organizado em empresas de transporte público. Nós identificamos aí 12 empresas de transporte que teriam movimento direto com o primeiro comando da capital, que seriam controladas direta ou indiretamente por essa organização criminosa. Fabricio Intelizano, delegado, em setembro
A ofensiva atual é resultado de uma investigação que remonta à transformação do transporte alternativo paulistano . Segundo o Ministério Público de São Paulo, a infiltração da facção no setor tem antecedentes no começo dos anos 2000. Em 2002, Antônio José Muller Júnior, o Granada, apontado pelo MP-SP como integrante da cúpula do PCC, teria usado documentos falsos para assumir a direção da Transmetro, cooperativa de transporte sediada em Diadema (SP). A defesa dele nega relação com os crimes atualmente investigados.
As cooperativas formadas por antigos perueiros foram regularizadas por meio de licitações no início dos anos 2000. Anos depois, parte dessas organizações foi transformada em sociedades empresariais. É nesse universo que surgiram algumas das companhias que hoje estão sob investigação.
As sucessivas operações mostram também uma ampliação do foco das autoridades. Se inicialmente as apurações se concentravam na lavagem de dinheiro por meio das empresas, os investigadores agora tentam identificar quem exercia influência sobre as concessionárias, como contratos e decisões públicas eram afetados e se recursos provenientes desses esquemas chegaram ao financiamento eleitoral.
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