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Bar do Ceará preserva reduto clássico da boemia paulistana

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Bar do Ceará preserva reduto clássico da boemia paulistana

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Atriz, roteirista e escritora, é autora de "Coisas importantes também serão esquecidas" (Companhia das Letras, 2025)

Há 49 anos, Antônio Etemar Pinheiro de Souza, mais conhecido como Ceará, está à frente do Sena Bar, patrimônio etílico-cultural da Vila Buarque, mais conhecido como Bar do Ceará.

Ele nasceu em Iguatu, Ceará . Aos 13 anos, perdeu a mãe, e seu pai o colocou num ônibus para São Paulo , onde veio encontrar os irmãos. "Jovem, né? Pra viajar sozinho", comento. "Fazer o quê?", responde, sorrindo. Os irmãos vieram aos poucos, um atrás do outro, todos atrás de oportunidades. Seu primeiro emprego foi entregando revista para o Grupo Bloch e a Editora Abril. "Revista Ele e Ela, lembra?"

Com 20 anos, seus irmãos conseguiram comprar o ponto na Major Sertório, em frente à praça Rotary, onde até hoje serve uma das cervejas mais geladas de São Paulo. Enquanto o entrevisto, numa tarde de sábado, muita gente passa por lá. Ele sabe nome, profissão, estado civil e endereço de 49% delas. E agora sabe tudo de mim também, já que Ceará se interessa genuinamente por quem senta à sua frente.

À minha esquerda, um médico recém-saído do plantão, a quem ele chama de doutor. À minha direita, um homem grande com um livro na mão. É Maximiliano, arquiteto aposentado, que me revela que Ceará cursou um ano de direito .

Aos 27, fez cursinho no Anglo da rua Sergipe e entrou na PUC . Mas teve dificuldade de conciliar o bar com os estudos. Foi Sarney quem "tirou a lei do MEC que deixava trancar a faculdade por mais de dois anos". Por isso, não conseguiu voltar.

Ceará é casado com Alba há 40 anos e é ela quem faz o caldo de mocotó do bar. Ele, católico , vai à missa; ela, evangélica , ao culto. Há quatro décadas se ajudam e se respeitam. Ele trabalha de domingo a domingo e só folga quando é aniversário de alguém importante ou vai viajar. "Trabalhar nunca matou ninguém", diz.

Estar em paz é estar em dia com os fornecedores, principalmente os grandes, como Ambev e Philip Morris , e com o aluguel pago. O segredo é comprar bem, me confidencia, enquanto trocamos dicas dos melhores atacadões da região.

Ceará é testemunha viva da história de São Paulo, desde os tempos em que não havia grades na praça e a lendária boate de dona Laura, a La Licorne, funcionava a poucos metros dali. Era, na verdade, um bordel de luxo frequentado por políticos, jogadores de futebol e celebridades internacionais.

Ele conta que as dançarinas de lá, às vezes, paravam no seu bar para uma cerveja. Na "boca do luxo", como ficou conhecida essa parte da cidade na época, o bar do Ceará ficava entre a La Licorne e as boates da Bento e Rego Freitas. Por isso, havia uma altíssima rotatividade de gente passando por ali e de muitos gringos que acabavam no seu balcão.

Quanta gente, aliás, já não chorou as mágoas nesse balcão, inclusive famosos! Mas Ceará, discreto, pede para não colocar no texto.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.

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