Lucro da Vale cai 56% no terceiro trimestre, para R$ 6,4 bilhões
Rio de Janeiro A Vale teve lucro líquido de R$ 6,4 bilhões no terceiro trimestre de 2026, queda de 56% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado foi divulgado nesta quinta-feira (29) após o fechamento do mercado.
O desempenho foi pressionado pela queda no preço e na produção de minério de ferro e pelo aumento do custo do frete marítimo, que acompanhou a escalada do preço do petróleo após o início da guerra no Irã .
O lucro em dólar, de US$ 1,2 bilhão, ficou abaixo da expectativa do mercado, que esperava US$ 1,5 bilhão, uma queda de 44% na comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo consenso de analistas ouvidos pela Bloomberg.
Em comunicado, o presidente da Vale, Gustavo Pimenta, disse que o resultado reflete "a execução disciplinada de nossa estratégia e um foco contínuo na excelência operacional".
"Em um ambiente de mercado dinâmico, a flexibilidade de nosso portfólio, nossa estratégia de frete e nosso programa de hedge ajudaram a proteger as margens e a sustentar uma sólida geração de fluxo de caixa", afirmou.
No terceiro trimestre, a receita da companhia somou R$ 54,4 bilhões, queda de 4% em relação ao mesmo período do ano anterior. O Ebitda ajustado, que serve de indicação da geração de caixa da companhia, caiu 28%, para R$ 17,1 bilhões.
O preço médio do minério de ferro no mercado internacional recuou 8% em relação ao trimestre anterior, para US$ 96,91 por tonelada. A Vale vendeu seu minério fino a US$ 85,1 por tonelada, 10% mais barato do que no terceiro trimestre de 2025.
O barril do petróleo Brent, por sua vez, teve média de US$ 91,29 no período, 34% acima do registrado um ano antes, sustentado pelo conflito entre Estados Unidos e Irã .
A produção de minério de ferro foi de 88,3 milhões de toneladas, queda de 6% em um ano. Pela primeira vez, a Vale divulgou os dados de produção e vendas junto com o balanço, e não alguns dias antes, como de costume.
A mineradora enfrentou uma crise de governança no terceiro trimestre, com a renúncia do presidente e do vice-presidente de seu conselho de administração após pressões da Previ, que gere as aposentadorias dos funcionários do Banco do Brasil.
Maior acionista individual da mineradora, a fundação pediu a saída do então presidente do conselho, Daniel Stieler. Ele resistiu, mas acabou renunciando em um processo polêmico que lhe rendeu um pacote de benefícios inédito na companhia.
Crítico da ofensiva da Previ e vice-presidente do conselho por seis anos, Marcelo Gasparino foi acusado pela companhia de vazar informações confidenciais . O conselho pediu sua destituição, mas ele também decidiu renunciar.
O caso é alvo de dois processos na CVM (Comissão de Valores Mobiliários). Um trata dos benefícios pagos a Stieler, o outro da proposta de destituição de Gasparino.
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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.