Poder das redes sociais: doce viraliza e causa ‘overturism’ nas Dolomitas
Pelo lado bom e também pelo nocivo, o turismo global vem sendo afetado diretamente pelo impacto das redes sociais.
Pesquisas recentes mostram que cerca de 75% a 83% dos viajantes do planeta utilizam conteúdos digitais para buscar inspiração e definir seus destinos de férias.
Um comportamento, é bom que se diga, esperado e que condiz com os tempos atuais.
O problema, apontam pesquisadores, é quando ocorre, da noite para o dia, o fenômeno do turismo viral ou de massa digital transformando regiões pacatas em locais hiperlotados.
Em vez de afluxos graduais baseados em guias especializados, por exemplo, sabe-se que as redes sociais (como Tik Tok e Instagram) têm o poder de converter algoritmos de recomendação em ferramentas de tráfego massivo, gerando muitas vezes o ‘ overtourism’ (turismo excessivo).
Produção de krapfen, um doce muito parecido com o “sonho”: a produção e o sistema de pagamento da loja na região das Dolomitas não estavam dando vazão para a quantidade repentina de turistas Reprodução/VEJA Um efeito em cadeia que vem atingindo vários destinos.
Na Áustria, o pequeno vilarejo de Hallstatt ficou mundialmente famoso e passou a receber hordas de turistas após boatos de que teria inspirado o filme Frozen circularem nas mídias sociais.
A prefeitura local precisou erguer barreiras físicas em alguns pontos para conter o afã de turistas.
No Japão, por sua vez, as autoridades da cidade de Fujikawaguchiko também tiveram que construir uma proteção, de mais de 20 metros, para impedir fotos e acidentes de trânsito junto a uma loja de conveniência.
O ângulo perfeito do Monte Fuji havia viralizado nas redes sociais.
No último fim de semana, foi a vez do “desejo” em massa por provar um simples doce de 4 euros transformar por completa a rotina do Vale de Val Di Fassa , no Norte da Itália, nas Dolomitas .
Depois que blogueiros de gastronomia e influenciadores de viagens começaram a postar vídeos no Tik Tok comendo o krapfen, uma iguaria semelhante ao “sonho” brasileiro, o caos se instalou no Refúgio Friedrich August, um paraíso alpino nas Dolomitas.
As gravações viralizaram nas redes sociais e, com a repercussão, filas de mais de 300 pessoas se formaram no até então tranquilo vale de Val Di Fassa para comer o tal doce, normalmente recheado com um creme de baunilha ou geleia de damasco, e registrar este momento em meio a um cenário idílico.
Há informações de que alguns turistas chegaram a acampar na região para conseguir provar o Krapfen.
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