Como está a disputa tarifária entre EUA e China antes da cúpula Trump-Xi?
As tensões comerciais entre as duas maiores economias do mundo estarão no centro das atenções na próxima semana, quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, receber seu homólogo chinês, Xi Jinping, na Casa Branca.
Uma frágil trégua alcançada em outubro passado interrompeu a rápida escalada da guerra tarifária iniciada por Trump, mas ainda não houve um acordo abrangente e permanente.
As tarifas representam um grande obstáculo nas relações comerciais entre China e Estados Unidos desde 2018, durante o primeiro mandato de Trump.
Em abril de 2025, a tarifa-base de Washington sobre os produtos chineses chegou a impressionantes 145%, e a China respondeu com tarifas recíprocas de 125%. Desde então, porém, os dois lados reduziram significativamente as taxas.
Atualmente, ambos impõem tarifas por meio de um complexo conjunto de políticas específicas para cada setor.
A tarifa alfandegária efetiva sobre as importações procedentes da China era de 22,8% em julho, a mais alta entre os principais parceiros comerciais dos Estados Unidos, segundo a organização de pesquisa Penn Wharton Budget Model.
Entre as tarifas efetivas mais elevadas está a de 40,5% sobre aço e alumínio, segundo a organização.
A China ainda mantém uma tarifa de 10% sobre todos os produtos americanos, com taxas adicionais em setores específicos, como a de 15% sobre o gás natural liquefeito.
O comércio entre os dois gigantes continuou apesar da turbulência provocada pela disputa tarifária.
As importações e exportações somaram 400,8 bilhões de dólares (2,1 trilhões de reais) entre janeiro e agosto deste ano, segundo dados da alfândega chinesa, um aumento de 5,4% em relação ao mesmo período de 2025.
O saldo, no entanto, é desigual, já que as exportações chinesas representam 75% desse valor, um superávit que desagrada Washington.
Trump afirmou a jornalistas no domingo que abordará "quase tudo" com Xi na cúpula.
As tarifas, porém, são "o principal tema da agenda", afirmou à AFP Dan Wang, diretora da equipe para a China do Eurasia Group. "Xi não iria se não houvesse resultados concretos sobre as tarifas ou uma trégua comercial", acrescentou.
Pequim e Washington estão atualmente em consultas sobre um mecanismo de redução tarifária que abrange produtos no valor de 30 bilhões de dólares (154 bilhões de reais) de cada lado, informou na semana passada o Ministério do Comércio da China.
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